quinta-feira, 3 de agosto de 2017

NO ÚTERO SEU FUTURO É DEFINIDO

Em 9 Momentos: Mesmo antes de você respirar pela primeira vez, muito da sua aparência e dos seus comportamentos instintivos já estão formados. A maneira como você passa os nove meses se desenvolvendo de uma célula microscópica para um bebê humano influenciou no que você é hoje. Veja abaixo nove momentos decisivos nesse processo:

Dia Zero - O começo
Um entre 250 milhões dos espermatozoides de seu pai conseguiu navegar por uma perigosa jornada para alcançar o óvulo de sua mãe, dando início ao processo que te formou. A "planta" do projeto que resultaria na sua pessoa já estava decidida desde a primeira célula. A célula vencedora define o seu gênero. Se ela contivesse um cromossomo X, você seria mulher. Se fosse um Y, homem. O espermatozoide e o óvulo, combinados, também criam uma novíssima coleção de genes. Os efeitos desses genes foram se desenvolvendo ao longo de nove meses para criar um ser humano novo e único, você.

Seis dias – Você sobreviveu ao primeiro round
Aos seis dias de idade, quando você era apenas um amontoado de células, você passou por um teste crucial, o esperma e o óvulo criam uma novíssima e única coleção de genes. Já no útero da sua mãe, para continuar a se desenvolver, você precisava se implantar na mucosa que recobre a face interna do útero. Mas mães são exigentes – um embrião precisa ser saudável para valer a pena ser nutrido pelos próximos nove meses. Cerca de dois terços dos embriões falham nesse estágio ou logo em seguida, e se perdem – muitas vezes antes de suas mães saberem que ele existiu. No seu caso, suas células liberaram sinais químicos que mostraram que você estava se desenvolvendo bem. E você foi ancorado no útero de sua mãe.

Quatro semanas - A formação do rosto
O formato de seu corpo, seus membros e suas feições mais reconhecíveis estão sendo formadas. Nos próximas semanas, o seu rosto se forma à medida que 14 estruturas diferentes se juntam para formar a base de intrincadas camadas de tecido. Faces humanas têm a mesma estrutura, mas nenhuma é exatamente igual a outra. Cientistas acreditam que possa haver centenas de mudanças no seu DNA que, sutilmente, formam as suas feições.

11 semanas - Destro ou canhoto?
Você começa a mexer seus membros na fase das 11 semanas. E começa também a dar preferência a um lado em detrimento do outro. Pode começar, por exemplo, a esticar um braço mais que o outro ou a sugar um dedo específico. Por volta da 11ª semana, começa a ser definido se você será destro ou canhoto. Nove de 10 fetos se tornam destros - e um em 10 escolhe o lado esquerdo. Menos de 1% é ambidestro, ou seja, usa confortavelmente os dois lados. Sua opção também está ligada, claro, aos seus genes.

12 semanas - Impressão digital: Uma em 7 bilhões
À medida que você continua a se mover no útero, protegido pelo líquido amniótico, outro traços únicos estão se formando. As camadas de pele em volta dos dedos começa a enrugar, empurrando o líquido ao redor. Essa interação ajuda a moldar uma combinação única de arcos, espirais e loops da sua impressão digital. Mesmo gêmeos idênticos têm impressões digitais levemente diferentes. No final de 17 semanas, você tem um conjunto de 10 impressões digitais que vão te diferenciar das outras sete bilhões de pessoas no mundo.

14 semanas - Sistema imunológico e afinidade com outras pessoas
Com o seu corpo tomando forma, você também vai desenvolvendo um sistema imunológico único. Com 14 semanas, você produz o chamado antígeno leucocitário humano (HLA, na sigla em inglês), que ajuda o seu sistema imune a reconhecer bactérias e vírus. Sistema imunológico desenvolvido antes do nascimento influencia o 'cheiro' que cada pessoa tem. Existem milhares de combinações possíveis de HLAs - que foram herdados de seus pais. Uma teoria sugere que as proteínas HLA podem mudar seu aroma para outros adultos e que nós escolhemos um parceiro sexual com uma composição muito diferente de HLA, ou seja, de cheiro diferente. Portanto, o seu sistema imunológico desenvolvido antes do nascimento pode ter alguns efeitos surpreendentes na vida adulta.

15 semanas - O quanto o seu cérebro é masculino?
Nesse estágio, você já tem genitália masculina ou feminina, definida por uma dose de testosterona na oitava semana. Agora, uma segunda dose ajuda a formar seu cérebro. Um feto masculino recebe uma grande carga de testosterona, criada em seu testículo. Já o feto feminino recebe uma dose bem menor, vinda da glândula suprarrenal. Assim, aspectos da sua personalidade são conectados ao seu cérebro. Exposição a altos níveis de testosterona pode contribuir a um comportamento "mais masculino", como assumir riscos.

28 semanas - Vendo o mundo do seu jeito
Você está quase pronto para ver o mundo pela primeira vez. Dois olhos munidos com sensores de cor são formados, com pigmentos que podem detectar as ondas que uma luz produz, criando cores. A maior parte das pessoas pode diferenciar 10 milhões de cores. Mas 8% dos homens e 0,5% das mulheres nascem com algum grau de daltonismo.

37 semanas - Contagem regressiva para o nascimento
Em nove meses, você cresceu de uma célula para um trilhão ou mais. Seu tamanho ao nascer depende de fatores como gênero, raça ou genética. Mas fatores externos como a dieta da mãe, níveis de estresse e se ela é fumante ou não também influenciam. Uma teoria que vem ganhando cada vez mais força é a de que o ambiente no útero pode alterar marcadores químicos no DNA, que controlam como os genes são ativados à medida que crescemos. Há evidências de que seu peso ao nascer pode impactar aspectos da sua vida adulta, como índice de massa corporal e risco de diabetes.

Fonte: BBC Brasil

quarta-feira, 19 de julho de 2017

ORAÇÃO PARA AMPUTADOS

Por que Deus não cura Amputados? Esta foi a questão escolhida para analisarmos se Deus cura ou não cura essa e outras situações sem volta. Existem outras, mas essa questão sonda um aspecto fundamental da oração pela fé. De cara vale lembrar que o deus Jeová ao invés de curar leprosos, amputados e doentes; proibia que essas pessoas entrassem no seu templo para adora-lo, vamos ler o texto bíblico; Jeová disse: Pois nenhum homem em quem houver alguma deformidade se chegará; como homem cego, ou coxo, ou de nariz chato, ou de membros demasiadamente compridos, ou homem que tiver quebrado o pé, ou a mão quebrada, ou corcunda, ou anão, ou que tiver defeito no olho, ou sarna, ou impigem, ou que tiver testículo quebrado. Nenhum homem em quem houver alguma deformidade, se chegará para adorar a Jeová; Lv 21:17-23.

Vamos imaginar uma situação: Você vai ao médico e descobre que tem uma doença grave, e você fica apavorado. Você não quer morrer, então você ora a Deus dia e noite, por uma cura sobrenatural. Uma cirurgia é realizada e bem sucedida, quando o médico o examina novamente você esta curado. Você louva a Deus então por responder suas orações e você acredita de todo seu coração que Deus operou um milagre. A pergunta é: O que curou você? Foi a cirurgia e os remédios, ou foi Deus? Alguém vai dizer que Deus usou os médicos para curar. Mas Deus poderia ter curado milagrosamente a sua doença, como muitos cristãos acreditam. Na verdade quando sua doença foi resolvida com a cirurgia, simplesmente houve coincidência com a sua oração. Sua oração pode ter tido efeito zero. Como podemos determinar se é Deus ou uma coincidência que contribuiu para a cura? Uma maneira é eliminar a ambiguidade (aquilo que pode ter mais de um significado). Em uma situação não-ambígua, não há potencial para a coincidência. Portanto, se não há nenhuma ambiguidade, nós podemos realmente saber se Deus está respondendo a oração ou não.

A Bíblia claramente promete respostas de Deus às orações; Marcos 11:24 Jesus diz: Tudo o que pedirdes em oração, crede e recebereis. Existem centenas de livros e sites cristãos falando sobre o poder da oração. De acordo com os crentes, Deus responde milhões de orações todos os dias. 


Então, o que deve acontecer se orarmos a Deus para restaurar membros amputados? Certamente, se Deus é real, os membros devem se regenerar através da oração, ou seja, uma pessoa sem pernas deve nascer imediatamente novas pernas. Mas na realidade elas não crescem. Por que não? Porque Deus é imaginário. Pelo menos o deus cristão é. Se existe outro, o "verdadeiro" ele nunca deu as caras. Não existe ambiguidade na situação dos amputados. Existe apenas um caminho: Deus ser real, e deve responder as orações conforme Mc 11:24 (e olha que existem outras passagens como essa). Logo sempre que criarmos uma situação não ambígua como esta e olhamos para os resultados da oração, concluímos que ela nunca funciona. Deus nunca responde orações se não há possibilidade de coincidência. Orações não ambíguas jamais serão respondidas.

Na verdade as orações feitas na igrejas não reduzem em nada a mortalidade no mundo, não impedem doenças, estupros, pedofilia e muito menos acabam com as guerras. Vamos a mais um exemplo? Vamos supor que um crente verdadeiro se ajoelhasse e orasse a Deus da seguinte forma: Querido Deus, todo poderoso e misericordioso, oramos para ti agora para que cure todos os doentes desse planeta esta noite. Oramos com fé, sabendo que você irá abençoar conforme prometido em Mc 11:24, João 14:13. Em nome de Jesus, Amém.

Fazendo uma oração como essa vemos a verdadeira natureza do deus bíblico. Não há nenhuma maneira de que uma coincidência possa responder a esta oração, e com certeza a oração fica sem resposta. Cada "oração respondida" é uma comprovada coincidência, nada mais. "Deus" não responde oração alguma. A crença na oração é pura superstição. Orações não-ambíguas (como as de amputados) nos mostram de forma conclusiva, que a ideia de que "Deus responde orações" é uma ilusão criada pela imaginação humana.

Terror
Você pode estar com medo porque tem acreditado na religião do Cristianismo, e em todos as suas bobagens inúteis, como nascimento virginal, arrebatamento, oração de cura, bênçãos materiais, dízimos e etc. Por toda a sua vida. Perceber que tudo isso é uma farsa total é aterrorizante. É algo parecido com estar casado com alguém, e depois de décadas descobrir que foi traído. É estarrecedor. Você está com medo de que se você não crer em Jeová e adorá-lo, ele poderá puni-lo. Você tem medo de que Deus possa jogar uma praga do Egito em você. Não é pra menos Jeová é um deus irado, vingativo e derramador de maldições.

Pense por um instante. Não existe um deus amoroso e mau ao mesmo tempo. O deus citado na Bíblia é assim. No velho testamento se comportava de um jeito, depois mandou seu filho pra morrer e virou bonzinho. É uma história mitológica das mais mentirosas que existe. O medo foi programado em seu cérebro desde a infância. O poder da religião vem do medo.

Porque existe, câncer, estupro, Aids, assassinato, pobreza e Deus não faz nada? Porque o deus do cristianismo é completamente imaginário. O cristianismo é uma ilusão. As religiões são ilusão. O Deus Jeová da bíblia é um demônio criado por seres humanos doentes mentais. As evidências estão ao nosso redor. As chances são de que você as conheça a anos, mas você tem sido incapaz de enfrentar a realidade. Jeová é mais deus pagão como os deuses do Egito e da mitologia Grega. Por que então grande parte da população acredita em Deus? Há algumas razões pelas quais os seres humanos fabricam religiões: 

A- As pessoas inventam Deus como uma maneira de lidar com a morte. O seres humanos tem medo da morte. Eles inventam a religião como uma forma de lidar com esse terror. 

B- As pessoas inventam religião para promover a bondade e eliminar o mal em suas sociedades. Essa receita de bolo não funciona, alias nunca funcionou. Morte e bondade são importantes para as pessoas. Toca-se em emoções humanas fundamentais.

Resumo
Você não precisa deixar de acreditar em nada. As pessoas acreditam em qualquer coisa que traga conforto para suas ansiedades. Pensar positivo é valido e muito bom. Agora não podemos criar deuses imaginários e sair enganando as pessoas mais simples. Ter fé é algo positivo, mas a fé pode te levar a um caminho de intolerância e burrice intelectual. Pessoas fazem loucuras em nome da fé, as maiores guerras que existem hoje no mundo são por causa religião. 

OS DONOS DO MUNDO: VÍRUS E BACTÉRIAS


De uma hora para outra pessoas iam dormir e não acordavam mais. Se você desse uma chacoalhada, ela até despertava. Aí comia alguma coisa, ia ao banheiro, mas sempre se arrastando pela casa, cansada como se tivesse passado dois dias sem dormir. Então ia para a cama de novo. Talvez para um sono sem fim. Esse sono mais do que mórbido matou 5 milhões de pessoas. Depois sumiu sem deixar vestígio nenhum. Até hoje ninguém sabe que vírus ou bactéria causou aquilo. Foi uma das pandemias mais violentas da história da humanidade. E fora ter ganho um nome (encefalite letárgica – ou “inflamação no cérebro que deixa você pregado”, em português claro) a doença continuou envolta em mistério. Apavorante. Mesmo assim a praga quase não chamou a atenção. É que logo depois surgiu um vírus bem pior: o H1N1. Em 25 semanas esse vírus matou mais gente do que 25 anos de aids. No começo, não parecia grande coisa. Quase todo mundo que pegava a gripe acabava sarando. O problema: uma hora tinha tanta gente infectada que a taxa de mortalidade, de 2,5%, foi o bastante para transformar meio planeta num inferno. Escavadeiras passaram a abrir valas para enterrar montes de corpos, embrulhados em lençóis. Chegou uma hora em que parentes das vítimas deixavam os corpos na rua para ser recolhidos. Uma em cada 36 pessoas do mundo acabou morta.

Era a gripe espanhola, causada por uma versão mais letal desse mesmo vírus de hoje, o influenza H1N1. Ela só agiu entre 1918 e 1919, mas foi o suficiente para matar 50 milhões num mundo com 1,8 bilhão de habitantes. Mais do que o dobro de mortos nos 4 anos da 1a Guerra Mundial. Qual a chance de um estrago desse tamanho acontecer de novo? Os vírus e as bactérias são mesmo uma ameaça tão grande? Para entender a resposta, é preciso conhecer bem os micro-organismos. Saber como eles “pensam” e, principalmente, nos colocarmos no nosso lugar. Os micróbios são mais do que uma ameaça. E nós, menos do que vítimas. Somos apenas passageiros num mundo criado por eles. E totalmente dominado por eles. A começar pelo seu corpo.


As bactérias fizeram você
Você é um sundae polvilhado com Ovomaltine. Pelo menos do ponto de vista dos micróbios. Existem mais bactérias pastando pela sua pele do que gente vivendo no planeta. Para elas, seu corpo é o paraíso, um lugar cheio de oásis onde água e comida jorram o tempo todo, na forma de água, sais minerais e gordura e proteínas. Cada um dos seus poros é como um restaurante onde tudo isso sai de graça. Em troca, elas deixam seu corpo fedendo. As axilas são mais problemáticas porque são as praças de alimentação mais concorridas, com glândulas que produzem mais óleos e proteínas de que elas gostam. E isso porque a pele nem tem tantas bactérias assim, comparado com a parte de dentro. A realidade assusta. Nosso corpo é feito de 10 trilhões de células. E abriga 100 trilhões de bactérias. Da próxima vez que se olhar no espelho, lembre-se: 90% do que está ali não é você, mas uma mega civilização de micro-organismos. “Elas são, em suma, uma grande parte de nós. Do ponto de vista das bactérias, claro que somos uma parte bem pequena delas”, definiu o escritor de ciência Bill Bryson em seu livro Uma Breve História de Quase Tudo.
Se elas dominam por dentro, não é diferente do lado de fora. Nas palavras de Nathan Wolfe, um dos infectologistas mais renomados de hoje, se existisse uma enciclopédia de 30 volumes listando tudo o que vive nesse planeta, 27 seriam para descrever vírus e bactérias. Eles formam literalmente uma população de peso. Caso desse para colocar na balança todas as coisas vivas do mundo, incluindo bichos, plantas e tudo o mais, 80% do peso total viria dos micróbios.

Nem precisa dizer que essa maçaroca de vida invisível coexiste em razoável harmonia com a gente. Dentro do corpo, os micro-organismos limpam o intestino, ajudam na digestão, fabricam vitaminas… São tão vitais quanto células humanas. Cada uma das nossas células, aliás, já nasce com uma bactéria dentro: a mitocôndria, responsável por fornecer energia para elas. São os micromotores que nos mantêm vivos. Mas, se elas dão a vida, também sabem tirar. As bactérias só vivem em harmonia com a gente quando estão nas partes certas do corpo. É um equilíbrio pouco estável. Até as que moram no Jardim do Éden da sua pele podem ser mortais se forem parar na corrente sanguínea. É o caso da Pseudomonas aeruginosa. Ela causa a sepse, uma infecção que destrói os tecidos do corpo. A doença afeta 400 mil pessoas por ano e mata a metade. Às vezes o tratamento é extirpar as partes infectadas. A sepse ficou conhecida por aqui em janeiro deste ano, quando atacou Mariana Bridi, uma modelo de 20 anos totalmente saudável. Ela teve os pés e as mãos amputados antes de morrer. E essa bactéria é só uma entre muitas que podem pegar qualquer um de surpresa, por mais jovem e saudável que a pessoa seja. Mesmo assim, elas não causam tanto medo quanto o outro protagonista do microcosmo: os vírus.

Muita gente trata vírus e bactérias como sinônimos. Em muitos casos, os dois até causam as mesmas doenças, como pneumonia e meningite. Mas não. Um é tão diferente do outro quanto um ser humano de um programa de computador. As bactérias podem até ser extremamente simples – são compostas de uma única célula, tão pequenas que daria para colocar 3 milhões delas na cabeça de um alfinete. Mas são seres vivos como qualquer outro. Elas respiram, comem e se locomovem. Basta haver nutrientes por perto que elas vivem e se reproduzem à vontade. São donas do próprio nariz. Os vírus não. Para começar, os vírus são bem menores. Se eles tivessem o tamanho de uma pessoa, as bactérias seriam da altura do Cristo Redentor. E mais importante: são incapazes de fazer qualquer coisa sozinhos. Imagine um programa de computador, um dvd do Windows, sem computador. Ele só vai servir para você jogar frisbee. E um vírus é basicamente isso. O software ali é um pedacinho de código genético impresso num pacote de proteínas, com as instruções de como reproduzir o vírus. Mas não há hardware. O vírus é inerte como uma pedra, sem o poder de respirar e comer para gerar sua própria energia – e com ela se reproduzir. Mesmo assim, a vontade de se multiplicar está lá. Igual a você e às bactérias, ele foi feito para gerar descendentes.

Como fazer isso se você é uma pedra? Pegando uma carona em quem pode. Ou seja: nas células dos seres vivos, que é quem sabe fazer isso. Cada célula, seja uma das 10 trilhões do seu corpo, seja a de uma bactéria, é basicamente uma fábrica de fazer novas células, usando nutrientes como peças de construção. O que o vírus faz, então, é invadir a célula e tomar o controle das operações. Transformá-la numa fábrica de novos vírus. Num zumbi a seu serviço. Os vírus conseguem invadir as células porque elas têm “fechaduras” violáveis. E cada tipo de vírus tem a chave para entrar em um tipo de célula. Por isso que cada um causa uma doença diferente. O HIV, por exemplo, só tem a chave para entrar num certo tipo de célula, chamada CD4, que é fundamental para o funcionamento do sistema imunológico. Ao transformá-las em zumbis, destrói as defesas do organismo. E o corpo do paciente fica vulnerável, sem ter como dar conta nem de doenças brandas. Note bem: se a chave que o HIV carrega fosse para outro tipo de célula, a aids não existiria, ele provavelmente seria um vírus sem nada de mais.

Só continuamos vivos em meio ao bombardeio de vírus, que é diário, por um motivo: nosso sistema de defesa é incrivelmente complexo. Evoluiu ao longo de bilhões de anos, desde os nossos ancestrais de uma célula só, para lutar contra esses invasores. E vencer a qualquer preço. A defesa começa na pele. Ela funciona como uma armadura por um motivo que pode parecer mórbido: a pele é coberta por células mortas. E os vírus não infectam células mortas porque… estão mortas, oras. Não têm como virar fábricas de novos vírus (ah, não esquente a cabeça: pode se esfregar o quanto quiser no banho que essa proteção não vai diminuir). Bom, já que a pele não deixa, os vírus precisam entrar pelos nossos furos: nariz, boca, genitais, ou ir direto para a corrente sanguínea, geralmente via mosquito. Mas é quando conseguem entrar que os vírus e outros invasores se deparam com as nossas armas mais sofisticadas: os linfócitos. São células feitas para matar, que atiram primeiro e perguntam depois. Literalmente: o corpo produz 50 bilhões de linfócitos todos os dias. Cada um capaz de reconhecer um tipo vírus. Como o corpo sabe quais vírus existem por aí? Ele não sabe. Então atira para todo lado produzindo linfócitos capazes de reconhecer qualquer combinação de proteínas possível. 

Se um vírus estranho penetrar no seu corpo, um desses bilhões de linfócitos vai reconhecer a célula infectada. E, quando isso acontece, rola uma operação quase mágica: o linfócito começa a se dividir, gerando um exército de clones especializados em destruir a célula contaminada com aquele vírus. Esse processo todo demora alguns dias. Nisso, o vírus tem tempo de se multiplicar e causar os sintomas da doença antes de ser atacado. Mas, uma vez que o exército de clones se forma, ele fica para sempre no seu corpo. Continua fazendo patrulha para o resto da sua vida. É por isso que, quando você pega alguma infecção viral, geralmente acaba imunizado contra ela para sempre. Não foi que o seu corpo “aprendeu” a combater a doença. Ele já sabia antes. Já tinha produzido um anticorpo contra o vírus por tentativa e erro. Mas precisou que o bichinho invadisse primeiro para produzir um batalhão de clones do linfócito certo. E aí, sim, ficar imunizado. 

É assim que as vacinas funcionam: os médicos injetam proteínas de algum vírus no seu corpo (não vírus inteiros, só suas impressões digitais, por assim dizer). Elas deixam você doente, mas iniciam uma produção em massa de clones contra ela. E eles vão ficar lá para sempre. Mas, se essa Otan dentro do seu corpo é tudo isso, por que não vencemos os vírus de uma vez? O problema é que alguns deles criaram táticas para driblar essa vigilância. O da aids, por exemplo, sabe se esconder do exército anti-HIV que se forma depois de uma invasão. E continua agindo por baixo dos panos, para sempre. Além disso, os vírus têm um grande aliado no planeta: nosso modo de vida. O surgimento de vírus novos e mais destruidores é uma consequência direta da civilização.

Você não gostaria de estar na pele de um vírus letal há 20 mil anos. Pelo menos não na de um dos que atacam seres humanos. É que a oferta de gente no planeta era de doer. O que tinha era alguns milhares de pessoas vivendo esparsas em tribos de caçadores. Se você fosse um vírus mortal, não daria muito certo: contaminaria um homem e, quando tivesse se disseminado para umas 100 pessoas, exterminaria a tribo e ficaria sem sua única fonte de vida. Péssimo negócio. “Não que não existissem vírus violentos na época. Mas eles não vingavam. Provavelmente destruíam todos os seus hospedeiros e morriam junto, antes que eles tivessem tempo de espalhar mais a doença”, diz o infectologista Stefan Ujvari, um especialista na evolução dos micro-organismos. Desse jeito, os vírus que deram certo na época, e que continuaram firmes até hoje, foram os mais brandos. Como o da herpes: ele fica lá quietinho na mucosa genital e só “acorda” de vez em quando, causando feridas por onde sai para tentar invadir alguém que o hospedeiro dele levou para a cama. Depois as feridas cicatrizam e o vírus continua lá, sem causar mais danos e à espera de uma nova chance de se espalhar. 

Matar a pessoa seria suicídio. Mas uma hora isso mudou. Há 10 mil anos o homem descobriu um modo de vida mais eficiente que a caça: a agricultura e a criação de animais. A fartura de alimentos fez a população se multiplicar. Agora a vida de um vírus letal não seria mais tão difícil. Do ponto de vista de um deles, a oferta de corpos para invadir estava uma beleza. Mas de onde eles viriam? Dos animais que estavam por perto. Com os primeiros criadouros, passamos a conviver com quantidades industriais de fezes, urina e outras secreções do gado. Além disso, a domesticação aumentou muito a população desses animais. Mais corpos para os vírus invadirem. E variações mais letais desses micro-organismos começaram a aparecer no gado. Era questão de tempo para que algum vírus assim saltasse para nós.

E foi o que aconteceu. Quem diz é a genética. Nos últimos anos, a ciência ganhou o poder de rastrear a origem dos vírus. Geneticistas comparam vírus nossos com os de animais e conseguem traçar a época em que eles tiveram um ancestral comum. Nisso, concluíram que o vírus do sarampo é parente de um que ataca o gado, o da peste bovina. Ou seja: o vírus dos bois passou por uma mutação genética na época das primeiras criações e adquiriu o poder de invadir pessoas. Invadir e, agora, matar sem dó: sarampo parece besteira para quem passou pelas vacinações em massa contra a doença – como você, provavelmente. Mas até hoje, nas áreas onde não há vacina, o sarampo mata mais de meio milhão de pessoas por ano.

Se o sarampo veio da criação de bois, a gripe é um filhote dos chiqueiros e galinheiros. O caminho do influenza começa nas aves selvagens, que carregam o vírus sem ter como infectar humanos. Mas a civilização deu um jeito de isso acontecer. Durante suas migrações, os pássaros selvagens acabavam bebendo água nos reservatórios das criações de galinha. E também faziam suas necessidades por lá. Aí as galinhas bebiam a água contaminada pelas fezes e pegavam o vírus. Como galinhas e porcos sempre foram criados meio juntos, não demorou para que surgisse algum vírus mutante dessa gripe aviária capaz de atacar os suínos. Nisso o vírus foi circulando entre várias espécies de suínos, aves domésticas e selvagens. Agora imagine: quando duas mutações de um mesmo vírus se encontram no mesmo organismo, e isso aconteceu nas criações de porcos e galinhas, o “casal” pode recombinar seus genes na forma de 256 vírus diferentes. E esses vão se recombinando e recombinando dentro do corpo dos bichos. Aí foi questão de tempo para surgir uma variação que infectasse o homem. No caso, o vírus da gripe humana.

Mas a festa do influenza não parou por aí. Os porcos ficaram vulneráveis à gripe humana e à aviária, além de terem a gripe exclusiva deles. Então até hoje acontece uma suruba genética lá dentro. E versões novas e imprevisíveis do vírus continuam aparecendo. É por isso que todo ano surge uma gripe diferente, que o nosso sistema imunológico não conhece. No fundo, qualquer uma delas pode ser chamada de “gripe suína”, pois todas são geradas nesse misturador de vírus que são os porcos. Se a cada ano vem uma gripe nova, em intervalos mais longos aparecem algumas realmente violentas. Foi o caso de 1918. E de agora.

A nova onda de doenças
Apesar de o sistema de saúde hoje ser bem melhor que o do começo do século 20, os criadouros de vírus também são. Hoje há 1 bilhão de porcos no mundo. E quase 3 galinhas por habitante. Se o consumo de proteínas continuar crescendo nos países em desenvolvimento (o que é ótimo), esses números vão triplicar. E a chance de aparecer novas gripes mortais também. A última que meteu medo no planeta aconteceu logo ali, em 2003: foi a gripe aviária, que infectou 423 pessoas e matou 258 – incríveis 61% de fatalidade, contra 0,024 das gripes comuns e cerca de 1% da gripe suína onde ela pegou mais forte. A aviária acabou controlada. A de hoje talvez não fique tão pesada quanto a espanhola. Mas não dá para prever o que pode vir por aí.

“Hoje os sistemas de saúde global funcionam como os cardiologistas dos anos 50, que só podiam esperar por um enfarte para depois agir. Na época, não entendiam como fazer a prevenção”, diz o infectologista Nathan Wolfe, que além de dar aulas na Universidade Stanford também é diretor da Iniciativa Global de Prevenção de Vírus. Nathan e seu grupo recolhem amostras de sangue de animais em busca de vírus que possam representar perigo para o homem.
Esse tipo de monitoramento é o melhor jeito de prevenir novas pragas. Só tem um problema: ele é raro. “O monitoramento da gripe aviária é eficaz porque se trata de uma doença capaz de matar uma criação inteira, causando prejuízos sérios ao produtor. Já os porcos não morrem de gripe, então não existe uma vigilância sistemática”, diz a infectologista Nancy Belley, da Unifesp. A solução? Aumentar essa vigilância, além de separar criações de galinhas e porcos e mantê-los em condições higiênicas. Só que isso ainda é utopia, principalmente nos países mais probres.

E mesmo assim não seria a salvação: a qualquer momento 500 mil pessoas estão em aviões cruzando o planeta. Junte isso ao fato de que nunca estivemos em contato com tantos vírus novos, seja pelo aumento na quantidade de animais de criação, seja pela caça de animais selvagens, que podem espalhar mais vírus para nós. Desse jeito, um caçador na África pode pegar um vírus mortal e, em questão de dias, estar em outro canto do planeta transmitindo o vírus. Foi o que aconteceu com o HIV, que veio de macacos. Por isso mesmo, pesquisadores acreditam que estamos no meio de uma segunda onda de novas doenças. A primeira foi aquela de 10 mil anos atrás, quando a civilização começou. Outro ponto: não dá para prever novas mutações. O HIV, por exemplo, só não é transmissível por mosquitos, como a dengue, porque não sobrevive dentro do inseto. Mas basta uma mutação simples para que isso aconteça.

No mundo das bactérias não é diferente. Há meio século, um ministro da Saúde Pública americano disse que “as doenças infecciosas estavam eliminadas dos EUA”. Fazia sentido. Naquele tempo, a penicilina, rainha dos antibióticos, parecia mesmo eficaz contra praticamente qualquer ataque bacteriano. Mas ele estava errado. A lógica da evolução funciona rápido com bactérias. Em pouco tempo surgem micro-organismos mutantes, que resistem aos antibióticos. E eles tomam o lugar dos micróbios vulneráveis na natureza, deixando nossos remédios obsoletos. Além disso, o homem dá uma força para que isso aconteça.
A maior parte dos antibióticos produzidos no mundo vão para as rações de gado, como precaução contra infecções e porque faz os bichos crescer mais rápido. É a melhor oportunidade do mundo para que as bactérias desenvolvam resistência aos remédios. 

Existem iniciativas para combater isso, pelo menos. Desde os anos 90 governos do mundo todo, Brasil incluído, proíbem o uso de vários antibióticos para promover o crescimento. Nos EUA, o governo estuda a possibilidade de banir os antibióticos das rações, e usá-los só quando o animal estiver doente. Também não é a panaceia, já que a mera existência dos antibióticos na farmácia é o bastante para criar bactérias mais resistentes. Por outro lado, não podemos viver sem esses remédios. Seria suicídio.

É isso: não existe fórmula mágica para derrotar micro-organismos. Mas isso não significa que eles não podem ser úteis. Enquanto você lê esta página, médicos do hospital Cedars-Sinai, nos EUA, se preparam para combater tumores no cérebro com um vírus geneticamente modificado. Até o fim do ano eles pretendem usar o vírus para invadir células cancerosas de pacientes e matá-las, sem danificar as células normais. A técnica já deu certo em bichos. Esse e outros tratamentos parecidos estão em fase experimental, mas já começam a descortinar um lado bom para esses demônios. Pois é: se não pode vencê-los, junte-se a eles.

Resumo:
É importante termos um olhar diferente das coisas. Somos seres humanos e feitos de bactérias mortais, tem milhares delas vivendo em nosso corpo. Analisando a grosso modo, podemos concluir que quem comanda mesmo são elas, as bactérias.

Fonte: Super Interessante

terça-feira, 18 de julho de 2017

IDENTIDADE DE GÊNERO E ORIENTAÇÃO SEXUAL


O que é Identidade de gênero?
Identidade de gênero consiste no modo como um individuo se identifica com o seu gênero, feminino ou masculino. De modo geral, representa como a pessoa se reconhece: Homem, mulher, os dois ou até mesmo nenhum dos gêneros. O que determina a identidade de gênero é a maneira como a pessoa se sente e se percebe, e deseja ser reconhecida pelas outras pessoas. Existem três principais tipos de identidade de gênero: Transgêneros, Cisgêneros e Não-Binários. 

O transgênero é o indivíduo que se identifica com um gênero diferente daquele que lhe foi atribuído no nascimento. Por exemplo: Um indivíduo nasceu menino mas não se vê como tal, se sente do gênero feminino; e vice versa. Ao contrário do que se pensava erroneamente no passado, a transgeneridade não é um distúrbio mental, muito menos psicológico. Transgênero e Transexual são a mesma coisa. O termo transexual é mais antigo, corresponde ao transgênero de hoje. É a pessoa que, por se sentir pertencente ao outro gênero, pode manifestar o desejo de fazer uma cirurgia no seu corpo para mudar de sexo, o que não acontece com as travestis. 

O Cisgênero consiste no indivíduo que se identifica com o seu "gênero de nascença". Um indivíduo que possui características biológicas típicas do gênero masculino/feminino, e que se identifica (socialmente e psicologicamente) como a mesma. Já o Não-Binário é a classificação que caracteriza a mistura entre masculino e feminino, ou a total indiferença entre ambos. Os indivíduos não-binários ultrapassam os papeis sociais que são atribuídos aos gêneros, criando uma terceira identidade que foge do padrão "homem-mulher".

Orientação Sexual
Muita gente confunde orientação sexual com identidade de gênero. No entanto identidade de gênero não tem relação direta com orientação sexual. Orientação sexual é o desejo, a inclinação erótica de cada pessoa. Por exemplo, um homem pode ter desejos sexuais por mulheres e homens, ou somente por homens ou mulheres. Mulheres que somente se sentem atraídas por mulheres são lésbicas, pois não sentem atração alguma por homens. Orientação sexual = Tesão. Uma mulher transgênero por exemplo, que nasceu com órgão sexual masculino, mas se identifica com o gênero feminino, pode ter qualquer tipo de orientação sexual, tais como: homossexual, bissexual, heterossexual, assexual, etc...

Crossdresser 
O termo "Crossdresser", ou "CD", de acordo com o Brazilian Crosdresser Club. O significado literal é vestir-se ao contrário. Nos Estados Unidos e em alguns países europeus a palavra já está integrada ao vocabulário quando se trata de diferenciar a fantasia de usar roupas do sexo oposto, das orientações sexuais de cada um. Crossdresser é homem heterossexual, mas tem uma identidade de gênero feminino. São homens heterossexuais, que gostam de se vestir de mulher.

Travestis
Travesti é um homem que também não se identifica com seu gênero biológico. Veste-se e se comporta como uma mulher. Travestis são homens gays (homens que sentem desejo por outros homens). Muitos travestis modificam seus corpos com ajuda de hormônios, terapias, implantes de silicone e cirurgia plásticas, mas ainda desejam manter o órgão sexual de origem, o pênis. Se um homem gosta de vestir de mulher e sua orientação sexual for heterossexual, logo não é um travesti, é um Crossdresser.

Assexuados
Indivíduos que não se sentem atraídos por pessoas do mesmo sexo, nem do sexo oposto, não sente nenhum desejo sexual. Essas pessoas não se masturbam e nem transam.

Resumo
Essas informações nenhum líder religioso vão pregar em seus púlpitos, pois cada um deles se preocupam somente em ganhar dinheiro, e pregar sempre a mesma ladainha religiosa para enganar seus fieis. Jesus não comenta o assunto no novo testamento, Jesus não comentou nada sobre sexualidade, não encontramos nada nas paginas do novo testamento sobre sexualidade humana e suas complexidades. 

Leia também este artigo fantástico, sobre imposição sexual CLICK AQUI. 
9 Momentos que determinam sua identidade antes de você nascer CLICK AQUI

domingo, 23 de abril de 2017

O QUE ACONTECERIA SE FICASSE PROVADO QUE DEUS EXISTE?


Num primeiro momento, pareceria o fim de todos os problemas. Mas essa visão mudaria rapidinho... Muita gente acredita em Deus, e fé não se discute. Mas o que imaginamos aqui ultrapassa o limite das crenças individuais. Estamos falando de a humanidade inteira, de repente, deparar-se com Deus em “carne e osso”. Para imaginar esse cenário, foi consultado Luiz Felipe Pondé, filósofo da PUC-SP, da Faap e da Unifesp, José Luiz Goldfarb, historiador da ciência da PUC-SP e os teólogos da PUC-SP Jorge Cláudio Ribeiro e Eduardo Cruz. O resultado são os acontecimentos abaixo, que, vale ressaltar, são totalmente hipotéticos. Num primeiro momento, a população mundial poderia acreditar que todos os problemas iriam desaparecer apenas com uma ordem Dele. Mas, com o tempo, essa história ganharia contornos bem mais dramáticos.

1. Para comprovar sua existência sem criar polêmicas entre as nações, o Criador convocaria uma reunião da ONU. Diplomatas incrédulos, claro, pediriam provas. Deus, bem-humorado, faria algum milagre ou algo do tipo, provando a todos que era quem dizia ser;

2. Sede da ONU, a cidade de Nova York receberia peregrinos do mundo inteiro. Companhias aéreas e aeroportos por todo o planeta entrariam em colapso por causa da procura dos fiéis. A cidade viraria um caos, com trânsito parado e soldados tentando conter hordas de crentes e curiosos;

3. A histeria coletiva levaria algumas semanas, até todo mundo se acalmar e se conformar com a existência divina. A mídia encararia Deus como uma celebridade. Emissoras de TV, jornais e revistas do mundo inteiro tentariam agendar entrevistas com Ele;

4. Entre a população haveria duas reações extremas. De um lado, doentes e miseráveis ficariam em paz, pois o Criador seria capaz de resolver tudo. Do outro lado, com medo da justiça divina, criminosos e desajustados entrariam em pânico, iniciando uma onda de suicídios;

5. Um efeito inesperado da presença de Deus poderia ser o colapso da economia. As pessoas deixariam de trabalhar e fariam passeatas exigindo a solução imediata dos problemas mundiais: “Comida para todos!”; “Saúde para todos!”;

6. As grandes questões não seriam mais decididas por governos, mas por Ele. Aborto pode ou não pode? Esse sujeito deve ir para a cadeia? E vale a pena de morte? Deus é quem daria a última palavra. Os governos se enfraqueceriam até finalmente deixarem de existir;

7. Alguns anos depois da aparição, o ser humano poderia perder a noção do que é certo ou errado e passaria a culpar o Criador por todos os males. Deus enfrentaria uma crise de popularidade. Uma mãe que perdesse seu bebê, por exemplo, acusaria Deus pela desgraça;

8. Diante de tanta confusão, Ele poderia optar por uma solução radical. Decidido a partir da Terra e voltar a seguir tudo de longe, Deus ofereceria o próprio sacrifício e “morreria” para a humanidade encontrar o rumo de novo. Mas não na cruz, que é uma coisa muito antiga que não funcionou.

CIÊNCIA X RELIGIÃO
Com Deus presente na Terra, os dois lados perderiam força. Quem acha que a presença de Deus favoreceria as religiões na milenar disputa com a ciência se engana. Na verdade, as religiões enfrentariam uma crise. Afinal, para que seguir as interpretações delas se o próprio Deus diria o que é certo, e o que é errado? Grandes centros religiosos perderiam seu poder, e o Vaticano até poderia acabar sendo incorporado pela Itália. Mas a vida dos cientistas também não seria fácil… O que havia antes do big-bang? Qual é a menor partícula dentro do átomo? Tais perguntas poderiam ser feitas diretamente ao Criador. Resultado: A ciência perderia sentido, e os pesquisadores acabariam desempregados.

Fonte Mundo Estranho

domingo, 21 de agosto de 2016

VIDA ETERNA NA CARNE


Nascer, reproduzir, morrer: Eis o ciclo da vida. Mas isso é só por enquanto. A ciência está trabalhando para que ninguém mais morra de velho. E é possível que dê tempo de você entrar nessa.

Morte morrida é coisa que a Turritopsis dohrnii não conhece. A vida dessa espécie de água-viva só acaba se ela for ferida gravemente. Do contrário, a Turritopsis vai vivendo, sem prazo de validade. Suas células se mantêm em um ciclo de renovação indefinidamente, como se voltassem à infância. Podem aprender qualquer função de que o corpo precise. É uma verdadeira (e útil) mágica evolutiva. Parecida com a do Sebates aleutianus, um peixe do Pacífico conhecido como rockfish, e de duas espécies de tartaruga, a Emydoidea blandingii e a Chrysemys picta (ambas da América do Norte). Esse segundo grupo tem o que a ciência chama de "envelhecimento desprezível". Suas células ficam sempre jovens, por motivos que a ciência ainda quer descobrir. 

A imortalidade existe na natureza. Não tem nada de utopia. Pena que nós não desfrutemos dessa boquinha. Ao longo do tempo, nosso corpo se deteriora. Perdemos os melanócitos que dão cor aos cabelos, o colágeno da pele, a cartilagem dos ossos - ficamos grisalhos, enrugados, com dores nas juntas. Velhos. Numa sucessão de baixas, células e órgãos vão deixando de cumprir funções cruciais para o corpo. Até que tudo isso culmina numa pane geral. E nós morremos. Para impedir que o corpo definhe desse jeito, o homem já tentou de tudo: De mumificação, no Egito antigo, a injeções feitas a partir de testículos de animais, na França do século 19. Só que agora estamos mais próximos do que nunca do sonho da imortalidade. Por causa dessas espécies highlanders, cientistas do mundo todo acreditam que nós também podemos ser imortais. E já têm propostas para isso, divididas em duas linhas: Remédios - feitos para aprimorar nossa defesa contra a morte, e inovações tecnológicas que nos tornarão quase robôs. Sabe aquela expressão "de certo na vida, só a morte"? Parece que ela vai perder o sentido em breve. Em 50 anos não vai mais existir definição para expectativa de vida. Teremos um controle tão completo do envelhecimento que as pessoas viverão indefinidamente", diz Aubrey de Grey, geneticista da Universidade de Cambridge. 

Não é uma tarefa fácil. Essa pesquisa está diretamente relacionada ao estudo do envelhecimento, que a ciência ainda não conseguiu destrinchar completamente. Pelo que se sabe, o corpo funciona como um carro. Depois de muito rodados, ambos acumulam defeitos. A diferença é que, quando quebra, nosso corpo dá um jeito de se consertar. Se você sofre um corte, o sangue estanca em minutos, não é? O problema é que essa manutenção segue bem enquanto somos jovens, mas vai perdendo a eficácia. Com o tempo, células param de se reproduzir, o corpo vai sofrendo ataques do ambiente... e a nossa máquina não dá conta de reparar tudo. Ficamos velhos, fracos, vulneráveis. Para que possamos viver para sempre, esse sistema de reparos não pode parar. E já apareceu proposta de todo tipo pra isso. Se antes essas ideias eram tidas como fringe science - algo como "ciência marginal", que tem mais de especulação do que de fato, agora elas começam a ser vistas com seriedade. Tanto que acabaram de levar um Nobel.

Uma pista: O câncer
Aconteceu recentemente, em outubro de 2009. Três pesquisadores americanos ganharam o Prêmio Nobel de Medicina e US$ 466 mil, cada um, por terem começado a decifrar por que nossas células envelhecem. A chave está numa palavra: Telômeros. O processo de envelhecimento é complexo e depende de vários fatores. Os telômeros são um deles, declarou a Fundação Nobel, ao anunciar o prêmio. Telômeros são os fragmentos da ponta dos nossos cromossomos, como tampinhas que os protegem. Quando uma célula se divide, essa tampinha tende a ficar menor, e a célula, a se deteriorar. O processo, repetido a cada divisão celular, faz com que ela envelheça. Ou melhor: Que você envelheça. Mas em células cancerosas isso não acontece: Elas se dividem sem sofrer danos. Por quê? Graças a uma enzima que estimula a construção do telômero, a telomerase. Segundo os vencedores do Nobel, a telomerase trabalha mais nas células cancerosas do que em outras, e as protege. Basicamente, é essa enzima que torna o câncer tão poderoso. 

Apesar de premiada só agora pelo Nobel, a descoberta é dos anos 80. E fez os cientistas pensar que a telomerase poderia prolongar nossa vida deixando células saudáveis tão resistentes quanto as cancerígenas. A pesquisadora Maria Blasco, do Centro Nacional de Pesquisas Oncológicas da Espanha, testou a hipótese com ratinhos. No seu estudo, ratos com mais telomerase nas células viveram até 50% mais do que os outros. Mas apresentaram mais tumores, acabavam morrendo de câncer. Em 2008, a equipe de Blasco conseguiu controlar a difusão das células cancerígenas, o que abriu espaço para a possibilidade de estudos com humanos. "Se pensarmos num aumento semelhante de expectativa de vida para pessoas, isso significaria morrer entre os 115 e os 120 anos", diz a pesquisadora. 

Ótimo. Mas calma lá: por que só até 120 anos, e não por toda a eternidade? É que, como o pessoal do Nobel disse, o envelhecimento é complexo. A telomerase ajudaria a aniquilar uma causa desse processo. Mas precisaríamos de armas diferentes para combater outras ameaças. Lembra de como o corpo é parecido com um carro? Para que seu possante fique sempre em ordem, você o abastece regularmente com combustível, troca as peças, conserta as batidas... Não que ele vá ficar com cheirinho de novo, mas continuará rodando pra sempre se fizermos manutenção. No corpo, vale a mesma regra: Cada iniciativa já proposta pela ciência para prolongar a vida só garante alguns quilômetros a mais se usada sozinha. Para chegar à imortalidade de fato, precisaremos é de um serviço completo, que ofereça todo tipo de reparo de que nosso corpo necessita.

Células-Tronco
Então a telomerase ajudará as células a não se deteriorar. Mas e se elas já tiverem sido maltratadas? Aí partimos para outras ideias. Começando pelo básico: Renovar o combustível. O geneticista britânico Aubrey de Grey, da Universidade de Cambridge, propõe que façamos isso com células-tronco. Injetadas periodicamente em nosso corpo, elas poderiam assumir o papel das células mortas e daquelas danificadas pelo processo natural de divisão celular. Como as células-tronco têm a capacidade de formar novos tecidos e órgãos, elas funcionariam como um remedinho, tomado de tempos em tempos no consultório do médico, para evitar e aniquilar doenças. "Faríamos um transplante periódico, e as células-tronco seriam iguais às originais de nosso corpo, só que novas em folha", afirma De Grey. Resultado: Teríamos órgãos jovens para sempre. 

Não é algo tão distante da realidade. Células-tronco já são usadas na pesquisa de tratamento para doenças como diabetes e esclerose múltipla. O próprio Brasil tem bons resultados. No Centro de Terapia Celular, da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto, o pâncreas dos voluntários ao tratamento para diabetes voltou a fabricar insulina. E os pacientes deixaram de depender de injeções diárias. Mas teríamos também de consertar os arranhões que levamos durante a vida. Como os causados pela comida. Não só fritura e carne vermelha, mas comida em geral. É que passar fome - acredite - faz todos nós viver mais. Está provado desde os anos 30, quando a Universidade Cornell demonstrou que ratos submetidos a uma dieta 30% menor chegam a viver 40% mais. É um processo conhecido como restrição calórica, explicado por uma questão evolutiva. Sempre que o homem passou por momentos de escassez de alimentos na história, os mais adaptados às condições difíceis sobreviveram. A principal teoria é de que, quando passamos fome, nossas células entram num estado de alerta para otimizar os recursos que têm, como proteínas. "É como se o corpo tentasse se proteger do risco", diz Randy Strong, farmacólogo da Universidade do Texas. Mas, não, ninguém vai ter de viver a pão e água por 300 anos. O que a ciência quer fazer é simular essa esperteza que o corpo adquire quando a fome aperta. 

Dentro de 5 anos, já vai dar pra comprar "fome em pílulas" nas farmácias. É o que promete o laboratório Sirtris Pharmaceutical, se tudo correr bem com os testes de um novo remédio que a empresa vem desenvolvendo, baseado no resveratrol. O resveratrol é uma substância encontrada em alguns tipos de uvas (como a pinot noir) que imita a situação de restrição calórica no nosso corpo, de acordo com estudos do médico australiano David Sinclair, pesquisador da Harvard Medical School e cofundador da Sirtris. Na uva, a substância existe em concentrações muito baixas. O trabalho dos pesquisadores é colocar a maior quantidade possível em pequenas pílulas, que serão vendidas com uma grife da indústria farmacêutica: O nome da britânica GlaxoSmithKline, que pagou US$ 720 milhões em 2008 para comprar o Sirtris e virar dona da pesquisa. 

As pílulas são a primeira droga contra o envelhecimento testada em humanos. Idosos diabéticos estão recebendo o medicamento, e a expectativa é de que a doença seja curada. Se tudo der certo, as pílulas poderão nos dar cerca de 10 anos extras de vida. O mesmo bônus de vida que cientistas prometem com a rapamicina. Usada contra alguns tipos de câncer e para suprimir o sistema imunológico de quem passa por um transplante, a droga agora é vista como um novo simulador de "fome". Em ratos, conseguiu prolongar a vida em 30%. Promete ser um concorrente do resveratrol no futuro mercado de restrição calórica. Mas comida é só um dos fatores que geram danos ao nosso corpo: Até respirar faz mal. É que o oxigênio é um dos mais potentes radicais livres, como são chamadas as moléculas que circulam pelo nosso corpo com elétrons instáveis, prontos para roubar elétrons de outras moléculas. Quando os radicais livres conseguem fazer o roubo, as células atacadas ficam danificadas. Envelhecem. É como se tivessem sido tomadas por ferrugem. Até temos um antídoto contra isso: Nós produzimos antioxidantes que nos defendem. O problema é que, com o tempo, essa produção cai e ficamos vulneráveis. Até porque sofremos um bombardeio de radicais livres, como o que vem dos alimentos e do ar. 

Se conseguirmos fortalecer as ligações químicas e evitar a ação dos radicais livres, dá para evitar que as células envelheçam. É a tese do cientista russo Mikhail Shchepinov, fundador da Retrotope, companhia que pesquisa o assunto. O que ele sugere é que nos alimentemos com comida ou bebida "enriquecida", ou seja, com moléculas resistentes aos radicais livres que já estiverem no nosso corpo. Água, por exemplo, é um alvo fácil para os radicais, eles quebram a ligação entre os átomos de hidrogênio e o de oxigênio. A molécula de água absorvida pelas células acaba danificada. Por isso, Shchepinov toma, todos os dias, um golinho de uma água diferente, a fórmula dela não é H20, e sim D20. Ao contrário do hidrogênio (H), o deutério (D) tem uma ligação forte com o oxigênio, e mais resistente aos roubos. Segundo o pesquisador, cada gole combate o envelhecimento. Falta saber o quanto podemos tomar sem provocar efeitos tóxicos no corpo. São só os primeiros passos rumo à imortalidade. Pra vencer a morte, muitos cientistas acreditam que nos transformaremos em máquinas mesmo. Do tipo que troca porcas e parafusos sempre que dá pau.

Você, versão tech
De uma forma, já vivemos essa realidade. Basta pensar no marca-passo. Mas o que se espera para o futuro é mais sofisticado: produção em massa de órgãos. A Escola de Medicina da Universidade de Wake Forest, nos EUA, está criando bexigas artificiais. Quer dizer, naturais, mas cultivadas fora do corpo. São feitas a partir de células da bexiga que será substituída. E ficam prontas em dois meses. O autor dessa pesquisa é o médico peruano Anthony Atala. Em 2004, quando era pesquisador de Harvard (hoje é professor e diretor do Instituto de Medicina Regenerativa da Universidade de Wake Forest), Atala começou a "cultivar tecidos". Em um prato, fez as células se dividir até conseguir um tecido de proporções gigantescas. Aí criou um molde de uma bexiga. Nele, colocou células da própria bexiga na parte interior e células musculares na exterior, fazendo com que elas crescessem. Deu certo. Dois anos depois foi feito o primeiro transplante, em uma criança. A equipe dele passou a fazer tentativas com outros tecidos e já obteve sucesso com cartilagem e veias.

Para consertos menores, outra solução: Um exército de robôs-médicos dentro de nosso corpo para arrumar qualquer defeito. Já existem experimentos na Rice University, nos EUA. Pesquisadores criaram estruturas microscópicas, pequenas cápsulas, capazes de levar remédio pela corrente sanguínea até células cancerígenas. E sem afetar as sadias. Esses nanorrobôs podem ter o tamanho de células humanas, ou ser ainda menores. Eles se espalhariam pela corrente sanguínea, limpando nossas artérias muito antes de elas chegarem perto de entupir. Vão também ser capazes de destruir vírus, bactérias, células cancerígenas antes que nosso corpo sofra qualquer dano. Funcionariam como novas pecinhas, responsáveis pela faxina no organismo. Em duas décadas, os nanorrobôs vão fazer as mesmas funções que as nossas células ou tecidos, mas com uma precisão infinitamente maior, escreveu o futurologista americano Ray Kurzweil, no livro Transcend, lançado em 2009. (Kurzweil não é qualquer um: Previu, nos anos 80, o que seria a internet hoje.)

Nosso Cérebro
Se isso parece futurista demais, veja o que está sendo preparado para o cérebro. O neurocientista Anders Sandberg, da Universidade de Oxford, quer fazer um download dos nossos pensamentos. O cérebro seria transformado em um software, com todas as habilidades da versão original. O programa faria a função de alguma área danificada ou poderia ampliar nossa capacidade de aprendizado e memória. Para isso, será preciso conhecer exatamente o funcionamento de nossa cabeça. E Sandberg pretende fatiar um cérebro em micropedaços para descobrir a função de cada um. Com esse arsenal já em produção, estamos no caminho para a imortalidade do corpo e da mente. Será o fim de uma das maiores buscas do homem. E a primeira era de um novo mundo, no qual a morte deixará de cumprir seu papel. Aí, vencer a morte terá sido só a primeira etapa. A imortalidade trará mudanças profundas na forma pela qual nos relacionamos com a família, com o trabalho e até com nós mesmos. Hoje a longevidade da população já é um dos maiores problemas do planeta em termos de espaço, empregos e previdência, a população de centenários deve chegar a 2,2 milhões em 2050 (eram 145 mil em 1999). E isso se a imortalidade não chegar antes. Portanto, prepare-se para uma vida completamente diferente. Mas não se preocupe por enquanto, você terá séculos para se acostumar com ela. 

Fonte: SuperInteressante | David Sinclair, Ray Kurzweil, Retrotope.

Resumo 
A imortalidade poderá ser realidade para nós? O Google espera que sim. A mais recente empresa do conglomerado, a Calico, vai concentrar seus esforços em derrotar a morte baseada em recentes descobertas científicas quanto à imortalidade.

domingo, 14 de agosto de 2016

QUEM É O DIABO?


Se alguém te pedisse para imaginar o diabo, provavelmente viria à mente um demônio com um tridente nas mãos. No entanto, por centenas de anos, o diabo cristão não foi retratado pela arte religiosa e, quando finalmente surgiu, era azul e não tinha chifres ou cascos. A imagem mais familiar para nós surgiu pelas mãos de gerações de artistas e escritores que pegaram o pouco que é dito pela Bíblia sobre Satanás e o reinventaram ao longo do tempo. A Bíblia diz que Satanás era o maior adversário de Deus. Na Bíblia judaica, o diabo é apenas outro agente subordinado a Deus, um anjo do mal, uma alegoria que simbolizava a inclinação maligna dos homens e mulheres. Esse personagem foi desenvolvido pelos cristãos até transformá-lo em uma representação da maldade suprema. Ou seja, o que era uma alegoria virou uma pessoa.

A doutrina cristã diz que Satanás assumiu a forma de uma serpente e tentou Eva no Jardim do Éden, mas não há nenhuma menção ao diabo no livro Gênesis. Foi só mais tarde que os cristãos interpretaram a serpente como uma encarnação de Satanás. Pois é, interpretação! Também acredita-se que Satanás foi expulso do céu após desafiar a autoridade de Deus. Porém, na Bíblia, um personagem misterioso é expulso após rebelar-se. A caracterização de Satanás como um anjo caído deriva dessa tradição. A imagem de um Satanás que governa o inferno e inflige tortura e castigo aos pecadores também não encontra correspondência no "texto sagrado". Apocalipse profetiza que Satanás será enviado ao inferno, mas sem qualquer status especial e sofrendo as mesmas torturas que os demais pecadores.

As faces do diabo
Nos primeiros séculos do Cristianismo, não havia muita necessidade de representar o mal na arte religiosa. Os cristãos acreditavam que os deuses pagãos rivais, eram demônios responsáveis por guerras, doenças e desastres naturais. Cem anos depois, quando o diabo apareceu na arte ocidental, algumas representações incorporaram os atributos físicos destes deuses, como o pelo facial e as patas de cabra.

O diabo medieval- Anos 1260
Na idade média, surgiu o retrato de Satanás mais reconhecível. Foi uma época de muito sofrimento, que ficou ainda pior com o surto de peste negra, a epidemia mais devastadora da história humana, com milhões de mortos na Europa. Como a Igreja não podia proteger os fiéis da doença, as representações de Satanás centraram-se nos horrores do inferno, refletindo o ânimo do momento e lembrando por que não se devia pecar.

Propaganda endiabrada - Anos 1530
Há uma longa tradição de associar o diabo aos inimigos do Cristianismo dentro e fora da Igreja. Quando ela se dividiu durante a Reforma, católicos e protestantes se acusaram mutuamente de estarem sob a influência do diabo com propagandas jocosas e grotescas sobre esta corrupção.

Feitiços e sedução - Anos 1500-1600
No início do período moderno, pessoas eram acusadas de fazer pactos com o diabo e praticar bruxaria. Satanás era frequentemente representado como um sedutor e se achava que as mulheres eram especialmente vulneráveis a seus encantos. Imagens mostravam mulheres em atos sexuais com o diabo, por elas serem consideradas o sexo frágil e mais propensas a caírem em pecado por serem incapazes de dominar seus desejos carnais. Se Satanás conseguia corromper o corpo feminino, era uma ameaça à segurança familiar, à santidade e até mesmo à fertilidade da comunidade.

Um diabo iluminado - Anos 1600-1800
Os escritores e pensadores iluministas reinterpretaram a história do diabo para que se ajustasse às preocupações políticas da época. John Milton descreveu um Lúcifer psicologicamente complexo no poema Paraíso Perdido, que conta a queda em desgraça de Satanás. Enquanto os textos religiosos anteriores haviam examinado a motivação de Satanás para condená-lo, o Lúcifer de Milton é um personagem atraente e solidário que encarna os sentimentos de rebeldia do republicanismo do século 17. Para alguns artistas românticos e iluministas, Satanás era um nobre rebelde que travava uma batalha contra a autoridade tirânica de Deus.

Animal político - Anos 1900-2000 
Quando a ciência conseguiu explicar a morte, as doenças e os desastres naturais, a figura do diabo ficou ameaçada. Havia lugar no mundo laico para Satanás? Foi quando um diabo urbano e sofisticado entrou em cena. Seguindo uma tradição de identificá-lo com inimigos políticos e religiosos, o diabo foi usado para ilustrar a oposição política por meio de caricaturas e sátiras. Além disso, Satanás encontrou seu lugar no mundo comercial, tornando-se sinônimo de excessos pecaminosos, aparecendo em propagandas para vender desde chocolate e champanhe, até carros de luxo.

Resumo
Diabo é puro delírio da mente humana. É tão real quanto a fada do dente, papai noel, coelho da pascoa e bicho papão. Sabe mais o que é fácil? Fazer algo de errado e botar a culpa no pobre diabo.

Fonte: BBC Brasil

segunda-feira, 30 de maio de 2016

EVANGÉLICOS - GENTE CHATA


No começo, o crescimento se deu em silêncio, praticamente ignorada pelas classes médias. Os templos evangélicos surgiam nas cidadezinhas perdidas e nas periferias miseráveis das metrópoles. Já não é mais assim. As catedrais milionárias estão se multiplicando como uma praga no Brasil. Há meio século os evangélicos são a religião que mais cresce no país. Nos últimos 20 anos, mais que triplicou o número de fiéis: De 7,8 milhões de pessoas em 1980 para 26,4 milhões em 2001, um pulo de 6,6% para 15,6% da população brasileira. Em algumas cidades, nem tanto, mas em outras, não parece longe o dia em que eles representarão mais de 50% dos habitantes. Com mais de 400 anos de atraso, finalmente estamos sentindo os efeitos da Reforma protestante que varreu a Europa no século 16.

Um terreno do Céu
Evangélicos, é a mesma coisa que protestantes. As duas palavras são sinônimas. Evangélicos são praticamente todas as correntes nascidas do racha entre o teólogo alemão Martinho Lutero e a Igreja Católica, em 1517. O alemão estava especialmente chateado com o comportamento dos padres, que, segundo ele, tinham virado corretores imobiliários do céu, comercializando indulgências – vagas no Paraíso para quem pagasse. Lutero abriu a primeira fenda no até então indevassável poder papal sobre as almas do Ocidente. A ele se seguiram outros.  

Os protestantes recusavam a ideia de que um único líder – o papa – deveria guiar os rumos da religião. Foi isso que começou a fragmentação do movimento em diversas correntes, com pequenas diferenças doutrinárias. Surgem os batistas, os metodistas, os presbiterianos... Mas o Brasil colonial passou quase imune à avalanche protestante. Houve apenas algumas exceções, como os calvinistas franceses e holandeses que invadiram o país – o primeiro culto evangélico por estas terras foi celebrado por franceses no Rio de Janeiro, em 1557, só 57 anos depois da missa católica inaugural. Era proibido realizar cultos de qualquer religião que não o catolicismo no território português.

A liberdade religiosa no Brasil só veio com a independência, na Constituição de 1824, ainda que impondo restrições de que as reuniões acontecessem em locais que não tivessem “aparência exterior de templo”. No mesmo ano, alemães fundaram a primeira comunidade luterana do Brasil. Logo depois chegaram as correntes missionárias, como os metodistas, dispostas a pregar nas ruas para salvar almas. No início do século 20, a fundação de duas igrejas seria decisiva para definir o perfil evangélico nacional: A Congregação Cristã no Brasil, inaugurada em São Paulo pelo italiano Luigi Francescon, em 1910, e a Assembléia de Deus, aberta um ano depois em Belém pelos suecos Gunnar Vingren e Daniel Berg. Apesar da origem européia, eles chegaram ao país via Estados Unidos, onde se envolveram com uma nova corrente protestante, o pentecostalismo, um grupo que crescia em popularidade por lá desde a virada do século. Começou aí o que o sociólogo Paul Freston chama de “a primeira onda do pentecostalismo brasileiro”.


A Deus é amor fundada por Davi Miranda, é uma das mais rigorosas em termos de regras entre as pentecostais. Ela proíbe frequentar praias, praticar esportes ou participar de festas. Às mulheres, é vetado cortar o cabelo e depilar. Crianças com mais de 7 anos não podem jogar bola, graças a um versículo bíblico que diz “desde que me tornei homem, eliminei as coisas de criança”. Tantas regras têm compensação: Para os pentecostais, o melhor da vida está reservado aos fiéis para depois da morte. Até a década de 50, esse modelo reinou sozinho no pentecostalismo nacional. Fez sucesso, mas ficou restrito a grupos relativamente pequenos. A chegada da “segunda onda”, no entanto, traria uma novidade. É o que se convencionou chamar de “neopentecostalismo”. Em 1951 desembarcou aqui a Igreja do Evangelho Quadrangular, inaugurando no país o pentecostalismo de costumes liberais. “Todas essas igrejas que fazem sucesso hoje são nossas filhas, netas ou bisnetas”, diz o pastor Neslon Agnoletto, do conselho nacional da Quadrangular. De fato, inovações como os hinos com ritmos populares, a forte utilização do rádio e regras de comportamento menos duras, todos ingredientes indispensáveis do “evangelismo de massas”, foram práticas importadas pela Quadrangular, fundada nos Estados Unidos em 1923.

Para isso, algumas adaptações aconteceram: Saem os homens de terno e as mulheres de pelos nas pernas, entram pessoas que se vestem com roupas comuns e não se animam a seguir normas rígidas de conduta. A primeira inovação foi riscar do mapa o ascetismo, o sectarismo e a crença de que a melhor parte da vida está reservada para o Paraíso. A preocupação dos neopentecostais é com esta vida. 

Outra diferença é a radicalização da divisão do universo entre Deus e o Diabo. Para os neopentecostais, os homens não são responsáveis pelos atos de maldade que cometem: É o Diabo que os leva a pecar. Numa sessão de descarrego da Igreja Universal, o pastor explicou que, se o fiel enfrenta um problema há mais de três meses, é provável que esteja carregando um encosto. “Se a dificuldade completar um ano, daí não há dúvida: A culpa é do demônio”, disse para a congregação. Ele não se referia só a entraves financeiros ou comportamentais. A receita vale para tudo, inclusive para doenças incuráveis. Assim, expulsar o demônio do corpo é a receita única para todos os males, de casamento infeliz até câncer no pulmão. Mas a "formula mágica" da Universal não passa de ilusão e persuasão psicológica.   

O Evangelho Segundo os Profetas da Prosperidade. 
O crente dá ordens a Deus e determina o que pretende. No Brasil, além da Universal, a Renascer em Cristo, Sara Nossa Terra, Internacional da Graça e Mundial do poder de Deus adotam a teologia da prosperidade. A força de enxurrada com que o neopentecostalismo cresceu desorganizou todo o protestantismo. Mais e mais, boa parte do mundo protestante aceita a teologia da prosperidade.

China
Os Profetas da Prosperidade sabem que tem poder. Mas nunca houve tantas pessoas dispostas a ouvir e seguir suas orientações. As igrejas dão enfase na prosperidade do fiel, e que a vida abundante deve ser vivida aqui na Terra, e não no céu como antes era pregado. O crescimento do PIB na última década ajudou milhões de brasileiros a prosperar financeiramente e ter uma vida mais confortável. Logo fizeram associação entre seu progresso financeiro e a igreja. Se a carteira estava cheia de dinheiro, Deus estava prosperando. E se Deus estava com ele era graças a igreja e ao pastor. Nada mais esperto do que "confundir" o alho do crescimento econômico com o bugalho da teologia da prosperidade. Mas o benfeitor não era Deus, era a China. A segunda maior economia do mundo se tornou o comprador numero um de produtos agrícolas e minerais brasileiros. Isso fez chover "bençãos", ou melhor, dólar no Brasil ajudando a girar as engrenagens do resto da economia. Foi um dos maiores círculos virtuosos da historia da economia brasileira. Inflação sob controle, renda la em cima, desemprego la em baixo. Mas aí veio a crise, a China perdeu o folego, o governo federal pedalou na politica econômica, a inflação saiu da toca e o "demônio" do desemprego voltou a assombrar as almas. Nisso a teologia da prosperidade começou a enferrujar. Afinal de contas a formula mágica de dar dízimos e ofertas na igreja e receber 100 VEZES mais, não estava mais dando certo. E é justamente isso que fez as igrejas darem menos enfase no dinheiro e partir para o radicalismo. 

Com a crise econômica é difícil sustentar a teologia da prosperidade. A agenda moral vem a calhar.

A moral e o Conservadorismo
Uma das ordens nas igrejas é justamente não dar enfase na teologia da prosperidade em tempos de crise econômica, mas para não perder fieis levanta-se a bandeira da moralidade, compra-se uma guerra agressiva para mudar o foco. Os evangélicos invadiram o senado e tem em media 78 deputados. Existe uma frente parlamentar criadas em 2003. E sua organização tem uma agenda: A defesa da família tradicional. Temas como liberação da maconha, aborto e união civil de pessoas do mesmo sexo são ferozmente combatidos. Há juízes evangélicos que vem tentado bloquear algumas pautas que não passariam no congresso, mas tem aceitação no judiciário, que é o caso do casamento gay, e o uso moderado de drogas por exemplo. Mas nem todo evangélico concorda com essa agenda radical, muitos líderes são contra. Na verdade as igrejas competem entre si por fieis, e são concorrentes como numa empresa, e poucas coisas os unem. A agenda da defesa da família é algo que a maioria evangélica concorda. O grande problema dos fundamentalistas é simplesmente esquecer que o Brasil é laico, e não só evangélico ou qualquer religião que seja.

Promessas do céu
Mas por que cada vez mais pessoas abandonam suas religiões para tornarem-se evangélicas? As motivações para a conversão estariam nas soluções mágicas oferecidas. “Uma grande parcela da população não tem acesso ao serviço de saúde – e, quando tem, recebe atendimento precário e mal entende os médicos. É muito mais fácil, e faz mais sentido, acreditar que os problemas são causados pelo demônio e se tratar na igreja”. Não é apenas a questão médica que está em jogo. A dualidade entre Deus e o Diabo é uma das mais eficientes respostas para a eterna pergunta sobre como é possível existirem tantas coisas ruins. Um presidiário pode culpar a influência do demônio pelo passado violento – uma explicação para o sucesso da religião nas prisões. Com isso, os neopentecostais respondem satisfatoriamente às questões dos nossos tempos – coisa que outras religiões nem sempre conseguem fazer. As igrejas seduzem com um produto atraente e oferecem bom serviço. São religiosamente adeptas da mais pura e simples mentalidade empresarial.


Dar dinheiro a Deus, seja através da caridade ou de doações, é parte da doutrina de diversas religiões, incluindo todas do braço judaico-cristão. Com a teologia da prosperidade, no entanto, o dinheiro ganhou nova função. Agora é preciso dar para receber. A Reforma protestante começou justamente porque Lutero se levantou contra a venda das indulgências. Não dá para negar que muitos realmente ganharam dinheiro com a fé alheia – em especial os líderes das grandes igrejas. Em termos legais, não há diferença entre um templo evangélico e qualquer outro local de cultos religiosos. A Constituição garante a todos – evangélicos, católicos ou budistas – a mesma isenção de vários tributos, entre eles o IPTU e o Imposto de Renda.

Além disso, o crescimento da concorrência faz ser cada vez mais difícil sobreviver entre tantas denominações evangélicas. Calcula-se que uma congregação precise ter no mínimo 50 integrantes para recolher dízimos e doações em quantidade suficiente para cobrir as despesas mínimas, como aluguel e contas de luz e água. Nessas horas, ser a religião dos pobres não é vantagem. Cerca de 80% dos católicos brasileiros se dizem não-praticantes. É um enorme mercado para os evangélicos. Não é à toa que a maioria dos convertidos vem do catolicismo. Mas, na hora de afirmar a identidade e escolher um adversário, o pentecostalismo ataca o candomblé e a umbanda, escorregando para a intolerância religiosa. Em quase todos os templos é possível ouvir que essas religiões cultuam o Diabo. Também há casos de ataques a terreiros estimulados por pastores. Pode-se dizer que a briga contra as religiões afro-brasileiras, e não contra o catolicismo, o verdadeiro rival, seja uma estratégia de marketing. 

Mas, embora possam dar a impressão de que o fanatismo religioso esteja em alta no Brasil, muitos especialistas defendem a tese de que o crescimento evangélico seja um indício do contrário: De que cada vez mais gente rejeita a religião. É o que sugerem pesquisas mostrando concentrações de evangélicos nas mesmas regiões onde há altos índices de pessoas “sem religião” – caso do estado do Rio e da zona leste paulistana. Abandonar a religião oficial é o primeiro passo de saída do mundo religioso. Um indício de que a conversão ao mundo evangélico significa um arrefecimento do fervor religioso é o fato de que as neopentecostais exigem poucas mudanças nos fiéis. O resultado é que, quanto mais crescem, menos os evangélicos mudam a cara do país – bem ao contrário da revolução que ocorreu na Europa com as idéias de Lutero e Calvino. Prova disso é a programação da Rede Record, comprada pela Igreja Universal com o dinheiro do dízimo, que pouco difere das concorrentes.

Talvez o trunfo evangélico para conquistar almas seja sua capacidade de adaptação. Com a rejeição à centralização da interpretação bíblica herdada da Reforma protestante, qualquer um pode abrir um templo e pregar como quiser. Assim, enquanto seus “irmãos” se expandiam em áreas pobres, a Igreja Bola de Neve cresceu 1000% em três anos orando para os ricos. Seus dez templos, cuja marca registrada são as pranchas de surfe como púlpito e os hinos religiosos em ritmo de reggae, funcionam em áreas de classe média-alta de São Paulo e cidades de praia como Florianópolis, Itacaré e Guarujá. O público são jovens da classe A e B, com curso superior.

No Brasil Católicos somam 123,2 milhões de fieis. Evangélicos em geral são 42,2 milhões. Espíritas 3,8 milhões. Outras religiões 1,4 milhões. Sem religião 15,3 milhões.  

Fonte: Super Interessante | IBGE 2000/2010

Resumo
Sabe qual a diferença entre evangélicos, católicos e os outros? Nenhuma! Cada um prega o que quer.