domingo, 24 de junho de 2012

O EVANGELHO DA PEDRADA

No velho testamento as punições era na base da pedrada, centenas de tipos de delitos eram punidos com o apedrejamento tais como: Filhos rebeldes, adultérios, estrangeiros que peregrinavam em Israel, amaldiçoar a mãe, se deitar com a sogra, nora, blasfemar contra Javé e até mesmo trabalhar no sábado e outros. Nada de misericórdia, o castigo deveria ser punido com o apedrejamento até a morte; Lv 20:1-27 / 24:13-23 / Dt 21:18-21.

Uns dos castigos e flagelos que Jeová gostava de derramar sobre os seus desafetos era chuva de pedras: Pois, Jeová lançou sobre eles, do céu, grandes pedras até Azeca, e eles morreram; e foram mais os que morreram das pedras da saraiva do que os que os filhos de Israel mataram à espada; Js 10:11. Contenderei com ele também por meio da peste e do sangue; farei chover sobre ele e as suas tropas, e sobre os muitos povos que estão com ele, uma chuva inundante, grandes pedras de saraiva, fogo e enxofre; Ez 38:22 /13:11-13 / Ap 16:21.

Segundo a mitologia Moises bateu na rocha, que saiu água; Nm 20:11.
Paulo era contra o ministério de pedras; II Cor 3:7. Davi derrotou Golias com uma pedra; I Sam 17:49. Pra Davi Jeová era sua rocha; Sl 19:14. 

Jeová é pedra de tropeço e escândalo: Então, ele vos será santuário, mas servirá de pedra de tropeço e de rocha de escândalo às duas casas de Israel; de laço e de rede, aos moradores de Jerusalém. E muitos dentre eles tropeçarão, e cairão, e serão quebrantados, e enlaçados, e presos; Is 8:13-15.

Resumo
A Bíblia é um livro cheio de fabulas, mas contem verdades de costumes e regras de um povo intolerante e doente por religião. Lunáticos judeus inventam deuses em suas mentes, e lhes atribui a responsabilidade de tudo que possa acontecer. A pratica horrenda do apedrejamento por desobediências religiosas é realidade até hoje.

quarta-feira, 20 de junho de 2012

O QUE É PECADO?


A palavra pecado é um termo utilizado em contexto religioso, descrevendo qualquer desobediência às leis de Deus. No hebraico e no grego as formas verbais (hhatá e hamartáno) significam errar, no sentido de não atingir um alvo estabelecido. Ninguém erra porque quer, as pessoas erram por uma fraqueza, logo é algo que foge da vontade daquele que errou, salvo aqueles que erram conscientes. Tiago escreveu algo interessante:Mas cada um é tentado, quando atraído e engodado pela sua própria concupiscência; Tg 1:14. Cada um tem o bem e o mau dentro de si.

Jeová autorizou o divórcio caso o homem achasse na mulher defeito físico, mas na lei Jeová condenou o ato, contraditório! O que é pecado ou não, é algo estabelecido por cada país, por exemplo: No Brasil é proibido a poligamia (casamento com mais de um cônjuge), mas em alguns países é permitido, ou seja, em alguns países não é pecado. Em países árabes a poligamia não é pecado.

O estupro é algo terrível, mas o deus do Monte Sinai autorizava seus filhos a praticarem tamanha maldade nas guerras. Jeová condenava o estupro no arraial de Israel mas contra os outros povos era autorizado, Pergunta: Qual é o conceito de pecado pros autores do VT? Vamos conferir: Filho do homem, quando uma terra pecar contra mim, se rebelando gravemente, então estenderei a minha mão contra ela, e lhe quebrarei o sustento do pão, e enviarei contra ela fome, e cortarei dela homens e animais. Se rebelando como? Se os outros povos não tinham lei? Só quem tinha a lei era o povo de Israel. Os outros povos nem conheciam Jeová como eles iriam se rebelar gravemente? Ez 14:12-22. 

Como um educador pode acusar um aprendiz de errar gravemente se o certo e o errado não foi ensinado? Antigamente pecado era não ir pra guerra; Nm 32:20-23. Isso significa que não matar era pecado grave, mas na lei de Jeová diz: Não matarás; Ex 20:3. Pergunta: Matar é pecado? Sim, mas pra Jeová matar os outros povos considerados inimigos não.

Prevaricação e transgressão, são duas expressões para designar pecado, pergunta: Roubar é pecado? Sim, e quem pratica o roubo merece ser preso, mas na cabeça dos autores bíblicos roubar os outros povos não era pecado. Quando Jericó foi destruída a prata, o ouro, os vasos de metal deveriam ser trazidos a Jeová, pois deveriam ser depositados no seu tesouro particular; Js 6:19/6:24 / I Reis 7:51 / 15:18. Israel trazia o despojo das guerras que eram ouro, prata, animais e homens (para escravizar), mas o que é despojo? É roubo. Pois é, um povo escolhido e santo como Israel nas guerras roubava, matava, estuprava, cobiçava... Nada era considerado pecado.

Jeová determina a morte de um animal inocente como oferta pelo “pecado”, ora, que culpa tem o animal do erro de alguém? Lv 4 / Hb 10:4. Se sangue de animais não tira pecados e nem desejos, logo os sacrifícios de animais praticados na lei tinham outra função, jamais foi para tirar pecados. Na lei imperfeita de Jeová um homem foi apedrejado atá a morte pois apanhava lenha no sábado.

Conclusão
É errado matar? Roubar? Estuprar e etc? Sim é claro que essas coisas são inaceitáveis dentro de uma sociedade, tudo isso é uma questão de ética, falha de caráter e comportamento. Certo e errado é algo determinado pelo governo de cada país, e pecado é algo da consciência de cada um. Em Israel existem práticas de atrocidades que no Brasil são inaceitáveis. Não existe pecado original, tudo isso é invenção da igreja.

A VARA DE JEOVÁ


Desmistificando mais uma fabula judaica...

Jeová constitui deuses homens na terra veja: Então disse Jeová a Moisés: Eis que te tenho posto por deus sobre faraó, e Arão, teu irmão, será o teu profeta. Perceba que em muitas bíblias "deus" vai aparecer com letra maiúscula. Jeová apareceu em uma sarça em fogo, e disse a Moisés: Desci para livrar Israel do jugo do Egito; Ex 3:7-8. Moisés lhe disse: Eles não vão crer em mim; Ex 4:1. Jeová disse: Que é o que tens na tua mão? E ele disse: Uma vara. E ele disse: Lança-a na terra. Ele a lançou na terra, e tornou-se uma serpente; e Moisés fugia dela. Então disse Jeová a Moisés: Estende a tua mão e pega-lhe pela cauda. E pegou-lhe pela cauda, e tornou-se em vara na sua mão; Ex 4:2-4. A vara que Moisés usou não era uma vara comum, pois com ela Moisés realizou prodígios e sinais. Então, Moisés foi a presença de Faraó e exigiu a libertação de Israel. Faraó se negou, porque Jeová endurecia seu coração. Moisés então jogou a vara no chão e esta se tornou em serpente.

Os magos ou feiticeiros de Faraó fizeram o mesmo com seus encantamentos, e suas varas se tornaram em serpentes. Mas a vara de Moisés tragou as varas deles, ou melhor, a Serpente de Arão e Moisés tragou as serpentes dos magos de Faraó. O coração de Faraó estava endurecido por Jeová, e não permitiu a saída do povo. A vara de Moisés simbolizava Satanás que é a serpente; Ex 7:10-13. 

Disse Jeová a Moisés: Fala a Arão: Toma tu a vara, e estende a tua mão sobre as águas do Egito, para que se tornem em sangue; e haja sangue em toda a terra do Egito, estende a tua vara, e fere o pó da terra, para que se torne em piolhos, saraiva e fogo, rãs gafanhotos; Ex 7, 8, 9 e 10. Alguém pode questionar, mas Faraó quem não deixava o povo ir. A reposta é simples: Jeová endurecia o coração de Faraó, com um objetivo: Para que saibam que ele é o Senhor. Jeová precisa mandar desgraças para fazer fama.

Quando a terra se abriu e desceram vivos core, Datã e Abirão ao sepulcro, Moisés declarou: Nisto conhecereis que Jeová me enviou a fazer todos estes feitos, que do meu coração não procedem; Nm 16:28. O mau não procede do coração do homem mas procede do coração do deus Jeová. A vara é Satanás, e o poder é de Jeová, e Moisés libertou o povo com a Serpente de Jeová. Jeová disse: E, se ocultarem aos meus olhos no fundo do mar, ali darei ordem à Serpente, e ela os morderá; Am 9:3.

Em Zc 11:10 temos uma pérola de Jeová que não pode passar batido: E tomei a minha vara graça, e a quebrei, para desfazer o meu pacto, que tinha estabelecido com todos os povos. Jeová trabalha com o bem e com o mau, ele faz pacto de fazer o bem, mas logo quebra o pacto para fazer o mau, pois esse é o seu deleite; Dt 28:63. Jeová trabalha com juramento, faz pactos e depois quebra, isto é, Jeová não é de confiança.

Até o pobre Jó que sofreu o Diabo, nas mãos de Jeová e de Satanás, declarou sobre a vara maldita de Jeová: Tire a sua vara de cima de mim, e não me amedronte o seu terror; Jó 9:34. A vara de Jeová é terror paras as nações. Jó fala mais: As suas casas estão em paz, sem temor, e a vara de Jeová não está sobre eles; Jó 21:9. Quando a vara de Jeová não esta presente, há paz. Isaías declarou algo terrível sobre a vara de Jeová: Jeová ferirá a terra com a vara de sua boca, e com o sopro dos seus lábios matará o ímpio; Is 11:4.

Se a vara de Jeová é Satanás, logo Satanás sai da boa de Jeová. Em apocalipse 16:13 encontramos: E da boca do dragão, e da boca da besta, e da boca do falso profeta, vi saírem três espíritos imundos, semelhantes a rãs. Lembrando que Jeová enviou pragas de rãs lá no Egito para mostrar o seu poder. Em apocalipse 19:21 muitos foram mortos pela espada que saía da boca daquele que estava montado no cavalo; e todas as aves se fartaram das carnes deles.

O Mar Vermelho
E tu Moisés, levanta a tua vara, e estende a mão sobre o mar e fende-o, para que os filhos de Israel passem pelo meio do mar em seco. E eis que endurecerei o coração dos egípcios, e estes entrarão atrás deles; e eu serei glorificado em Faraó e em todo o seu exército, nos seus carros e nos seus cavaleiros (GLORIFICADO NA MORTE). Então Moisés estendeu a sua mão sobre o mar, e o mar retornou a sua força ao amanhecer, e os egípcios, ao fugirem, foram de encontro a ele, e Jeová derrubou os egípcios no meio do mar e todos morreram afogados.

Quem abriu o mar vermelho foi a vara de anjo; Ex 14. Tudo foi feito pelo falso deus Jeová com sua vara maldita. Davi disse no salmos 23:4: Ainda que eu ande pelo vale da sombra da morte, não temerei mal algum, porque tu estás comigo; a tua vara e o teu cajado me consolam. Por isso Davi nunca teve sossego e nem descanso, pois a vara de Jeová é a Serpente, Davi não teve um minuto de paz e sossego em toda a sua vida, quando o reino estava em paz, Jeová suscitava guerra.

Davi se enganou sobre a vara de Jeová. Jeová declarou: Ai da Assíria, a vara da minha ira, porque a minha indignação é como bordão nas suas mãos. E o Senhor dos exércitos suscitará contra ela um flagelo, como a matança de Midiã junto à rocha de Orebe; e a sua vara se estenderá sobre o mar, e ele a levantará como no Egito; Is 10:5 /26. Jeová disse: Com a voz de Jeová será desfeita em pedaços a Assíria, quando ele a ferir com a vara; Is 30:31. Em lamentações 3:1 encontramos um lamento sobre a vara do anjo caído: Eu sou o homem que viu a aflição causada pela vara do seu furor. A voz do Senhor clama à cidade. Escutai a vara, e quem a ordenou; Mq 6:9, isto é, escutai à Serpente.

Resumo
Uma bela fabula, um cajado se transformando em serpente. Famosa historia mitológica judaica sem cabimento e inútil. 

terça-feira, 19 de junho de 2012

HOMOSSEXUALIDADE


Um dos textos que os líderes religiosos gostam de apresentar para condenar os homossexuais é Lv 20:13, Jeová disse: Quando também um homem se deitar com outro homem, como com mulher, ambos fizeram abominação; certamente morrerão. A ordem na lei de Jeová era para matar homossexuais. Jeová também disse: Não te deitarás com um homem, como se fosse mulher, isso é abominação. O termo correto é “Toevah”, no grego "Bdelygma", ambos significam "impureza", "ofensa ao ritual"; Lv 18:22.

No VT não há outra passagem clara sobre isso, somente esses dois textos de levítico. No novo testamento, Jesus não toca no assunto. Mas Paulo cita, em uma das suas cartas: Visto que, conhecendo a “Deus”, não lhe renderam nem a glória, pelo contrário, tornaram-se estultos, trocaram a glória do “Deus incorruptível” por imagens que representam o deus corruptível, pássaros, quadrúpedes, répteis… Por este motivo, “Deus” os entregou a paixões infames: As suas mulheres mudaram o uso "Physiken" (natural, usual comum) em outro uso, que é para "Physin" (não natural, fora do comum, diferente).

Do mesmo modo também os homens, deixando o uso "Physiken" da mulher, abrasaram-se. Os quais, conhecendo a justiça de "Deus". Muita atenção aqui: Que são dignos de morte os que tais coisas praticam, não somente as fazem, mas também consentem aos que as fazem; Rm 1:18-32. Dignos de morte? Quem mandou matar homossexuais? Se Jesus não mandam matar e nem condenam, porque Paulo fala dessa forma?

Physin ("não usual" ou "contrária a natureza"). O texto não deixa claro se essas relações sexuais eram somente para procriação e não para prazer sexual que é outra história, ou seja, não diz se é sexo em pé, deitado, oral, anal entre homem e mulher, etc.

Então o que é sexo usual? 

O texto não diz, alguém pode dizer que é o sexo entre homem e mulher, mas o marido pode fazer sexo anal com a esposa? Sexo oral? O que é que sexo usual? Tem mulher que gosta de sexo anal, oral e tem mulher que não gosta. Então sexo é algo pessoal. Com o passar do tempo houve divisão teológica sobre a verdadeira interpretação desta carta de Paulo.

Analisemos mais um texto deturpado pelos cristãos; Não errais: Nem os impuros, nem os idólatras, nem os adúlteros, nem (AFEMINADOS) Malakoi, nem Arsenokoitai… herdarão os reino de Deus; I Cor 6:9-10. Há versões da bíblia que traduziram essas palavras como "depravados", "pervertidos", "efeminados", "meninos prostitutos" e as mais atuais enxertaram a palavra  "homossexuais" e "gays", palavras que não eram usadas na época.

Façamos duas comparações de duas traduções de bíblias muito respeitadas: Vocês não sabem que os perversos não herdarão o reino de Deus? Não se deixem enganar: Nem imorais, nem idólatras, nem adúlteros, nem homossexuais passivos “Malakoi” ou ativos “Arsenokoitai” (Nova versão internacional). 

Ou não sabeis que os injustos não herdarão o reino de Deus? Não vos enganeis: Nem impuros, nem idólatras, nem adúlteros, nem efeminados, nem sodomitas (Almeida revista e atualizada). Malakoi aparece em outros dois textos no novo testamento; Mt 11,8 / Lc 7:25). Ou, o que foram ver? Um homem vestido de roupas finas “Malakoi”? Pelo contexto, percebemos que a palavra Malakoi significa, delicado, macio ao toque ou luxuoso.

Na literatura grega Malakoi é utilizado como metáfora para se referir aos jovens considerados fracos (como para o serviço militar) ou efeminados. Existem homens que são afeminados e não são gays. O termo também pode se referir aos jovens abusados sexualmente por adultos. Há que pense em "masturbadores" “Boswell” ou "Prostitutos" “Countryman”. Fica a pergunta: É honesto traduzir o termo por homossexual passivo ou ativo (NVI) ou efeminado (ARA)? Fica a critério do bom senso ou do preconceito.

Entretanto, até a reforma no século XVI e XX, pensava os teólogos católicos que tal palavra significasse "masturbadores". Mas não há nenhuma referência bíblica que proíba a masturbação. Porém, além de seu sentido literal de "mole" ou "macio", tal termo, quando usado para taxar pessoas, pode também ser interpretado como "lascivo", "irrefreável", "devasso" ou "efeminado". E é a partir dessa última tradução que se tem entendido por parte dos religiosos tradicionais que, portanto, existiria no texto uma condenação aos homossexuais.

Há uma séria contra-argumentações. Há uma divisão teológica em relação ao verdadeiro significado desses termos, mostrando que a palavra Malakoi, mesmo quando traduzida como "efeminado" jamais pode ser entendida como uma referência aos homossexuais, pois também significa mulherengo. Sendo assim posso dizer que Salomão era homossexual, pois teve 1.000 mulheres Tal tradução do termo efeminado, filologicamente sempre significou “Pusilânime”, mulherengo, e é esse o sentido que a palavra original tinha nos tempos de Paulo. A palavra efeminado só adquiriu conotação de "homossexual" na modernidade, de modo que inserir essa tradução nos escritos de Paulo seria uma gritante falsa interpretação. Em nenhuma época sequer a palavra Malakoi significou "homossexual" ou conceito semelhante, quem disser o contrário esta mentindo ou nem sequer estudou historia. Então I Cor 6:9-10, não faz referencia a homossexuais.

Arsenokoitai 
Remete ao conceito de prostituição cultual (sexo para os deuses), muito comum no antigo testamento, às vistas do deus Jeová, quando meninos eram vendidos como "Kadeshim", ou prostitutos cultuais, para os templos pagãos, como os de Baal, Dionísio, e da deusa Diana, ou mesmo homens livres se faziam sacerdotes sexuais do Diabo, para se dedicarem a esses templos de freqüente idolatria imunda. Essa teoria se prova uma vez que a septuaginta, que eram as escrituras que Paulo estudava na sua época, usa os exatos mesmos termos que o apóstolo teria citado de levítico e outras cartas do NT. 

Homem “Arsenos”, não te deitarás “Koiten”, como mulher. (Kai meta arsenos ou Koimethese Koiten), e tal ato seria Toevah, que no hebraico significa ritual religioso, de impureza, no sentido de desobedecer leis e mandamentos. Na bíblia Oxford, considerada uma das mais impotentes, traz notas que validam a não condenação dessas passagens aos homossexuais, também a bíblia de Jerusalém, umas das traduções mais respeitadas, não aceita a tradução desses textos como sendo referentes aos homossexuais.

Davi e Jônatas
Analisemos então imparcialmente o caso de Davi e Jônatas que se encontra em II Samuel, o texto diz: A alma de Jônatas se ligou com a alma de Davi; e Jônatas o amou, como à sua própria alma. E Saul naquele dia o tomou, e não lhe permitiu que voltasse para casa de seu pai. E Jônatas e Davi fizeram aliança; porque Jônatas o amava como à sua própria alma. 

E Jônatas se despojou da capa que trazia sobre si, e a deu a Davi, como também as suas vestes, até a sua espada, e o seu arco, e o seu cinto. (ficaram nus). E, indo-se o moço, levantou-se Davi do lado do sul, e lançou-se sobre o seu rosto em terra, e inclinou-se três vezes; e beijaram-se um ao outro, e choraram juntos, mas Davi chorou muito mais. Angustiado estou por ti, meu irmão Jônatas; quão amabilíssimo me eras! Mais maravilhoso me era o teu amor do que o amor das mulheres.

O texto é claro, amor de homem pra Davi era melhor que amor de mulher, tem sim uma conotação erótica.  A posição teológica aponta todos esses textos como se referindo a apenas amizade muito forte. Busca-se, ao falar de amizade, negar o embaraçoso e evidente conteúdo homo afetivo de Davi e Jônatas que trocam juras de amor e fidelidade.

Temos mais ladainhas de Paulo, que é Romanos 1:26-27 que diz: Por causa disso, os entregou “deus” a paixões infames; porque até as mulheres mudaram o modo natural de suas relações íntimas por outro, contrário à natureza; semelhantemente, os homens também, deixando o contato natural da mulher, se inflamaram mutuamente em sua sensualidade, cometendo torpeza, homens com homens, e recebendo, em si mesmos, a merecida punição do seu erro. 

Quem quer que seja que tenha interpolado a carta de Paulo citou o Salmo 81. Esta é uma adulteração nítida e clara, pois diverge de outros ensinos de Paulo.

I Cor 7 Paulo diz: Ora, quanto às coisas que me escrevestes, bom seria que o homem não tocasse em mulher. Mas, por causa da prostituição, cada um tenha a sua própria mulher, e cada uma tenha o seu próprio marido. Porque quereria que todos os homens fossem como eu mesmo (eunucos); mas cada um tem de deus o seu próprio dom, um de uma maneira e outro de outra. Digo, porém, aos solteiros e às viúvas, que lhes é bom se ficarem como eu. Paulo era a favor da castidade. 

Resumo
Os religiosos condenam os homossexuais tomando como base a cartilha dos judeus, e as únicas passagens estão em levítico. São textos escritos por autores que desconhecem questões de sexualidade. Na doutrina sobre Jesus, o assunto nem é citado. Mas na religião particular do impostor Paulo, tal pratica seria condenada. Mas houve adulterações, interpolações nos textos. Quem quiser seguir um livro da idade media, fique a vontade. Mas condenar homossexuais usando um livro fundamentalista é um absurdo.

segunda-feira, 18 de junho de 2012

A BÍBLIA COMO VOCÊ NUNCA LEU
























A Bíblia não é apenas a Bíblia. Ela também funciona como uma espécie de Constituição. Natural: O Livro Sagrado não é exatamente um livro, mas uma coleção de 66 livros. Alguns são basicamente de histórias, caso do Gênesis, que narra o início dos tempos e as origens do povo de Israel. Outros não. Eram obras que, antes de entrarem para a Bíblia, tinham vida própria na forma de códigos de conduta. Ou seja: Eram versões antigas, escritas entre o século 10 a.C. e 5 a.C., daquilo que hoje conhecemos como "código civil" e "código penal".

Esses códigos, essas leis, estão principalmente nos livros Deuteronômio e Levítico. Mas aparecem por praticamente toda a Bíblia, inclusive no Novo Testamento, escrito a partir do século 1 e que revisa boa parte dessas leis. Por essas, muitos preceitos bíblicos são contraditórios ou sujeitos a mais de uma interpretação. "No contexto em que foram escritos, porém, eles ajudaram a formar um povo com uma identidade tão forte que sobreviveria a séculos de diáspora e uma religião que dominaria o mundo ocidental", diz o historiador Marc Zvi Brettler, professor de estudos judaicos da Universidade Brandeis, nos EUA. Nas próximas páginas, vamos fazer uma viagem pelas leis daquele tempo e daquele espaço. É a Bíblia. Mas como você nunca leu.

MARIDOS & ESPOSAS
Poucas coisas mudaram tanto nos últimos 3 mil anos como a instituição do casamento. Então esse é o nosso primeiro tópico. Para começar, o Velho Testamento deixa claro que as mulheres deveriam ser funcionárias de seus maridos. Funcionárias mesmo: não só com deveres, mas com direitos também. Se uma esposa fosse "demitida" pelo parceiro, por exemplo, podia ganhar uma carta de recomendação, que a moça podia usar como trunfo na hora de tentar uma vaga de mulher de outro sujeito.

Não é exagero falar em "vaga": Um homem podia ter tantas esposas quanto quisesse (ou melhor: quanto pudesse adquirir e sustentar). A poligamia era a regra. Tanto que o primeiro caso aparece logo no capítulo 4 do primeiro livro da Bíblia: "E tomou Lameque para si duas mulheres" (Gênesis).

A situação era tão comum que vários dos personagens mais importantes do Antigo Testamento viviam com mais de uma esposa sob o mesmo teto. Abraão acolhe uma segunda mulher a pedido de Sara, sua número 1, que não conseguia ter filhos. Depois a própria Sara dá à luz Isaac, enquanto a escrava Hagar tem Ismael. Nota: a tradição considera o primeiro como pai de todos os judeus e o segundo, patriarca dos povos árabes.

O caso de Jacó, filho de Isaac e também patriarca de todos os judeus, é o mais conhecido: ele casa com as irmãs Lea e Raquel, filhas de Labão. E compra o dote delas trabalhando no pastoreio do sogro por 14 anos - 7 anos de labuta por cada esposa.

Mas nunca na história do Livro Sagrado houve maior predador matrimonial que Salomão, o rei: foram 700 esposas. Setecentas de papel passado, já que o sábio soberano ainda mantinha 300 concubinas. E tudo isso sem pílula nem camisinha... Por isso mesmo o Deuterônimo traz regras para a distribuição de bens entre filhos de diferentes mulheres - os rebentos de mães com mais milhagem em anos de casamento ganham mais. E os primogênitos também. Mas por quê, afinal, a poligamia era a regra lá atrás? "Provavelmente porque havia mais mulheres do que homens entre os judeus, que com frequência estavam envolvidos em guerras violentas. A poligamia, então, era uma forma de garantir a manutenção da população", diz o historiador Richard Friedman, professor de estudos judaicos da Universidade da Geórgia. "Além disso, uma mulher solteira tinha pouquíssimas alternativas para sobreviver, a não ser se prostituir. Quando um único homem é provedor de várias mulheres, essa questão acaba minimizada."

O Novo Testamento não cita tantos exemplos de poligamia, mas sugere que ela ainda era comum no século 1. Jesus não toca no assunto, mas, em duas cartas, são Paulo recomenda que os líderes da nova comunidade cristã tenham apenas uma esposa porque "assim eles teriam mais tempo para dedicar aos fiéis". "O cristianismo só refuta a poligamia quando se aproxima do poder em Roma, que proibia a poligamia", afirma Brettler. Como escreve santo Agostinho no século 5, "em nosso tempo, e de acordo com o costume romano, não é mais permitido tomar outra esposa".

Escravas também tinham direitos: se um homem casava com uma de suas servas, só poderia se divorciar se vendesse a mulher para outro senhor. Bom para a mulher, já que evita a situação constrangedora de trabalhar para o ex - e de graça... Menos "feminista" é outra lei bíblica: quando um homem morre e deixa uma viúva, seu irmão deve casar com ela, para garantir que o patrimônio da família não se perca. O adultério, adivinhe, é crime - pudera: no Brasil mesmo era crime até 2005 (detenção de 15 dias a 6 meses, segundo o artigo 240 do Código Penal). A diferença é que lá a pena era de morte mesmo - para ambos os envolvidos na relação sexual fora da lei.

Mais brando é são Paulo, que dá orientações para o dia a dia do casal. Ele até diz que os homens são a cabeça da relação, mas pede que os maridos respeitem as esposas. Um grande salto para nas regras de matrimônio da Antiguidade.

SEXO
Além de polígamo, qualquer homem podia ter amantes, contanto que oficiais. Eram as concubinas. Jacó trabalhou 14 anos pela posse de suas duas mulheres - mas ganhou duas concubinas de bônus pelos bons serviços prestados. Uma série de regras estabelece como deve ser a vida sexual também: toda mulher tem de se casar virgem, ou então poderá ser dispensada pelo marido - por outro lado, se o marido acusar falsamente a esposa de não ter casado casta, deve permanecer com ela até o fim da vida. Para comprovar sua pureza, a acusada devia apresentar testemunhas dispostas a defender a limpidez do passado dela. As leis sexuais, enfim, eram bem abrangentes: "Quem tiver relações com um animal deve ser morto", diz o Êxodo. E masturbação também não pode. Como diz o sutil são Paulo: "A mulher não pode dispor de seu corpo: ele pertence ao marido. E o marido não pode dispor do seu corpo: ele pertence à esposa". "O sexo na Bíblia é cheio de contradições", diz o arqueólogo Michael Coogan, autor de God and Sex (Deus e o Sexo). "É de se desconfiar que fossem realmente levados a sério naquela época."

BÍBLIA S/A - NEGÓCIOS E FINANÇAS
A ética comercial do Livro Sagrado tem regras simples: não roubar nem trapacear no peso ou fazer nada que prejudique a outra parte. A cobrança de juros também é proibida. As ordens se repetem ao longo da Bíblia, sempre em tom firme: "Não tomarás dele juros nem ganho" (Levítico), "Não emprestando com usura, e não recebendo mais do que emprestou" (Ezequiel). E isso numa época em que a grande moeda corrente eram sacos de grãos. O fato é que a restrição à cobrança de juros é mais antiga do que a Bíblia. As leis da Babilônia, codificadas mil anos antes, já impunham tetos na cobrança de juros, provavelmente para evitar que os mais espertos enriquecessem à custa de empobrecer o resto da sociedade. Jesus, inclusive, radicaliza. Não só condena os juros como também a cobrança do principal (a quantia emprestada inicialmente): "E se emprestardes àqueles de quem esperais receber, que mérito há nisso?" (Lucas). Cristo, aliás, dá muita atenção à cobiça. "Não podeis servir a Deus e às riquezas" (Mateus, 6:24), diz. E pede que seus seguidores façam como os lírios-do-campo, que recebem proteção e alimento da divindade sem precisar trabalhar. Também diz, para desespero de um fiel cheio de posses, um de seus maiores hits verbais: "É mais fácil um camelo passar pelo buraco de uma agulha do que um rico entrar no reino dos Céus". Mas existe uma exceção na política bíblica de juros: nos casos em que o empréstimo é concedido a um não-judeu ("um estranho", nas palavras do Deuterônimo), é permitido praticar a usura. Até por isso os judeus se tornaram os grandes banqueiros da Idade Média. Os cristãos também respeitavam a Bíblia, e não emprestavam a juros entre si (para eles, os "estranhos" eram os judeus). Mas num mundo sem juros o estímulo para conceder empréstimos é nulo. Então a maioria cristã pedia empréstimos para quem os concedia, a juros - as minorias judaicas. O fato de os judeus não terem direito à posse de terras também ajudava - emprestar a juros era uma das poucas formas de renda possíveis para quem não tinha como plantar para acumular excedentes.

Se o Livro Sagrado proíbe a cobrança de juros, mas só entre judeus, o mesmo vale para a escravidão. Você pode ter escravos, contanto que "sejam das nações que estão ao redor de vós; deles comprareis escravos e escravas", diz o Levítico. Mas havia uma exceção: Era possível a um judeu endividado vender a si mesmo para o credor.

"A escravidão era comum entre todos os povos daquela área, mas os servos eram relativamente bem tratados, sem violência desnecessária. Os próprios israelitas seriam respeitados quando foram forçados ao exílio na Babilônia", afirma a historiadora Catherine Hezser, professora de história das religiões da Universidade de Londres e autora de Jewish Slavery in Antiquity (Escravidão Judaica na Antiguidade).

Por isso mesmo, os israelitas são orientados a conceder uma série de direitos a seus escravos, que servem por 6 anos, e no sétimo são libertados. Se ele for escravizado com a esposa, os dois são libertados juntos. Até para punir os indisciplinados existem regras - se o dono arrancasse um olho do servo, seria obrigado a libertá-lo (Êxodo). Ou seja: a Bíblia também servia como uma espécie de CLT para escravos.

Mas a parte mais humanista nas relações de trabalho previstas na Bíblia é uma regra para os fazendeiros: sempre deixar sem colher as plantações das bordas do terreno. Para quê? Para que as pessoas mais pobres, sem-terra, possam aproveitar essa parte.

MARVADO VINHO
O álcool nem sempre foi consumido com moderação na Bíblia. A palavra "vinho" é citada mais de 200 vezes, e os porres são frequentes: Ló é embebedado pelas filhas e Amnon, filho de Davi, está mais pra lá do que pra cá quando é assassinado por ordem de seu irmão Absalão - a quem interessar: foi pelo crime de ter estuprado a própria irmã, Tamar. "Os sacerdotes são orientados a não beber antes de entrar no templo, e o álcool é relacionado à perda de controle pessoal e da capacidade de diferenciar o bem do mal. Mas nada no texto bíblico proíbe o consumo", diz historiador Marc Zvi Brettler.

O álcool chega a ser recomendado para curar os males da alma. Está no livro Provérbios: "Dai bebida forte ao que está prestes a perecer, e o vinho aos amargurados de espírito".

Às vezes, a coisa era uma festa da uva mesmo. Davi, num arroubo de populismo, oferece uma jarra de vinho a cada cidadão de Israel. E tem o primeiro milagre de Jesus: transformar água em vinho ¿ segundo o evangelista João, no melhor vinho da festa. São Paulo vai mais além: recomenda a um discípulo, Timóteo, que troque a água pelo vinho. A dica tinha um motivo prático. "Às vezes, naquele tempo, era mais saudável consumir álcool do que água, que frequentemente era insalubre", diz Brettler.

SAÚDE E EDUCAÇÃO
A medicina bíblica é obcecada por manchas na pele - uma preocupação muito compreensível para um povo que vivia no deserto, sob um sol escaldante. Os líderes religiosos é que faziam o papel de médicos. "Quando um homem tiver na pele inchação ou pústula, então será levado a Arão ou a um de seus filhos, os sacerdotes" (Levítico).

Os sacerdotes avaliavam pessoalmente cada caso suspeito, seguindo as regras estabelecidas por Deus, transmitidas a Moisés e transcritas no Livro Sagrado. Primeiro, passar azeite sobre o ferimento (o mesmo produto também é recomendado para lavar os cabelos). Depois de uma semana, no retorno da consulta, vem o diagnóstico definitivo: se o pelo sobre a mancha estiver mais claro, e a ferida estiver mais funda do que a pele, o doente tem lepra.

A partir desse momento, a vítima não tem mais espaço na comunidade. É obrigada a andar pelas ruas, anunciando sua condição para evitar que desavisados entrem em contato com o doente e também sejam contaminados. Ocasionalmente, profetas conseguiam curar leprosos. No Novo Testamento, os sacerdotes cristãos são indicados para curar todo tipo de doença. "A oração da fé salvará o doente, e o Senhor o levantará" (Tiago).

A preocupação com a pele não era a única norma de conduta social. Era proibido cortar e aparar a barba ou vestir tecidos que misturassem lã e linho (Levítico) - hoje, entre as comunidades que buscam seguir a Bíblia ao pé da letra, existem testadores de tecido, especializados em monitorar a composição das roupas com um microscópio e impedir fiéis de desobedecer à orientação e cometer pecado. Pela regra, também é importante vestir sapatos seguindo uma ordem - primeiro o pé direito. Se for necessário amarrá-lo, é o contrário: primeiro o esquerdo.

A Bíblia também orienta na educação dos filhos. Eles devem ser apresentados a Deus recém-nascidos e, no caso dos meninos, circuncidados no oitavo dia de vida. Ao longo da infância, os pais têm a obrigação de repassar a eles a palavra de Javé. Já o Novo Testamento é mais pedagógico, digamos assim: enfatiza a educação pelo bom exemplo dos pais, para que os jovens respeitem a Deus e se comportem corretamente por vontade própria, e não porque foram forçados. Criar adultos calmos e centrados também é importante. "E vós, pais, não provoqueis vossos filhos à ira, mas criai-os na disciplina e na admoestação do Senhor" (Efésios). Quando não funcionar, o Antigo Testamento indica que um bastão flexível deve ser usado para bater nos desobedientes (no Brasil, seu uso poderá trazer problemas com a Justiça caso seja aprovada a Lei da Palmada). O objeto tem até nome, vara da correção, e é indicado para qualquer situação em que o pai considere que a criança não seguiu suas instruções.

"A vara e a repreensão dão sabedoria, mas a criança entregue a si mesma envergonha a sua mãe" (Provérbios), diz o texto bíblico, que promete: o castigo pode dar frutos no futuro. "Disciplina seu filho, e este lhe dará paz, trará grande prazer a sua alma". Mas cuidado - a punição não pode ser exagerada: "Castiga seu filho, mas não te excedas a ponto de matá-lo" (Provérbios).

HOMOSSEXUALIDADE
O amor entre homens era punido com a morte - a não ser que você fosse o rei Davi. Os livros Samuel I e Samuel II contam a história da amizade entre ele e Jonatã, filho do rei Saul, antecessor de Davi e candidato natural ao trono de Israel. Davi acaba escolhido para a sucessão, mas isso não abala o relacionamento dos dois. Está escrito: "A alma de Jonatã se ligou com a alma de Davi. E Jonatã o amou, como à sua própria alma" (Samuel I). Em outra passagem, Jonatã tira todas as roupas, entrega a Davi e se deita com ele. "E inclinou-se 3 vezes, e beijaram-se um ao outro" (Samuel I). "Esse relato incomoda os intérpretes tradicionais da Bíblia, que tentam explicar a relação como uma forte amizade, e o beijo como um costume comum entre homens", diz o historiador finlandês Martii Nissinen, da Universidade de Helsinki e autor de Homoeroticism in the Biblical World (Homoerotismo no Mundo Bíblico). "Mas é difícil negar a referência à homossexualidade nesse caso, mesmo que a lei judaica a proíba expressamente." Em mais de uma ocasião, os relacionamentos entre homens são chamados de "abominação" e "pecado contra Javé". Para alguns especialistas, o Antigo Testamento também sugere um relacionamento homossexual entre duas mulheres, Noemi e sua nora Rute. Está no livro de Rute um trecho em que ela diz a Noemi: "Aonde quer que tu fores irei eu, e onde quer que pousares, ali pousarei eu." Onde quer que morreres morrerei eu, e ali serei sepultada".

SACRIFÍCIOS
Muito sangue jorra na Bíblia. Abraão é orientado a sacrificar seu próprio filho Isaac a Javé - e teria obedecido, caso um anjo não aparecesse no último minuto dizendo era tudo um teste para sua fé. Além disso, durante os 40 dias em que detalha suas regras ao patriarca, Deus exige uma série de sacrifícios de animais.

Os rituais são descritos com grande riqueza de detalhes. Moisés manda matar e drenar 12 bois. O sangue é colocado numa tina. Metade é lançada no altar e o resto sobre a multidão. Carneiros abatidos são esfregados no corpo de fiéis, que seguram seus rins nas mãos para oferecê-los a Javé. Pedaços de bichos são queimados sobre o altar. Era uma forma de trocar favores com os deuses. Por isso mesmo, o sacrifício de animais existe em praticamente todas as culturas da Antiguidade. "O sangue é o maior símbolo da vida. Ao usá-lo em rituais, os fiéis reforçavam seu vínculo com a divindade e se purificavam", diz Richard Friedman.

Jesus aparece com uma novidade: não pede sangue animal. "Eu quero a misericórdia, não o sacrifício". Friedman explica: "Na interpretação cristã posterior, o próprio Jesus é considerado o sacrifício final, que limpa os pecados da humanidade de forma definitiva, o que dispensa a morte de animais".

CRIME E CASTIGO
Sequestro, adultério, homossexualidade, prostituição... Tudo isso dava pena de morte. Até fazer sexo com uma virgem poderia custar a vida do "criminoso". Esse caso, aliás, é um labirinto jurídico: se um homem transar com uma virgem dentro de uma cidade, os dois morrem; se for no campo, só ele. A lógica é que, dentro da cidade, alguém ouviria a virgem gritando por socorro caso o sexo não fosse consentido. Se ninguém ouviu é porque ela não gritou, supõe a lei. E se não gritou é porque cometeu um crime também - o de consentir. No campo é diferente: não dá para saber se ela gritou ou não. Na dúvida, então, morre só o homem.

Matar também dava em pena de morte, claro: "Se alguém derramar o sangue do homem, pelo homem se derramará o seu" (Gênesis). Adorar outros deuses também trazia problemas sérios, já que é sinal de desobediência a um mandamento fundamental: "Não terás outros deuses diante de mim". Moisés chega a mandar matar 3 mil judeus por causa disso.

Matar o próprio escravo também trazia problemas. "Se alguém ferir seu escravo ou sua escrava com um bastão e morrer sob suas mãos, seja punido severamente, mas se sobreviver um ou dois dias, não seja punido, porque é seu dinheiro" (Êxodo). A pena indicada, nesse caso, é o açoite, com um limite de 40 chibatadas.

O Levítico também manda matar prostitutas a pedradas, a não ser que a moça de vida fácil seja filha de um sacerdote. Aí a punição é pior: "Com fogo será queimada". A regra seria fortemente contestada por Jesus, com a famosa frase que salvou Maria Madalena: "Aquele que não tem pecado atire a primeira pedra". Ainda assim, nem todos os autores do Novo Testamento parecem concordar com a recomendação de Cristo. As cartas de são Paulo, por exemplo, defendem o respeito à lei romana, que autoriza o apedrejamento a prostitutas.

Como o Antigo Testamento não aceita o aborto, é crime provocá-lo, mesmo que por acidente, mas a pena depende da gravidade da situação. Se dois homens brigarem e, no meio do quebra-pau, ferirem sem querer uma mulher grávida que estava por perto e provocarem a morte do feto, os dois vão pagar uma indenização estabelecida pelo marido - que perdeu um bem precioso, seu herdeiro. Agora, se a mãe ficar gravemente ferida ou morrer, então vale a famosa lei do Talião - "Olho por olho, dente por dente, mão por mão, pé por pé, queimadura por queimadura, ferimento por ferimento, golpe por golpe" (Êxodo). Em geral, a pena de morte por apedrejamento não precisava ser julgada pelos sacerdotes. A maioria dos crimes recebia a punição na hora, diante de um grupo de pessoas que presenciaram a cena ou que estavam por perto da cena do crime e foram informadas. Mas também existem regras mais amenas, estas, sim, negociadas dentro dos tribunais e com direito a defesa do acusado. Por exemplo: o Antigo Testamento estabelece que toda mulher menstruada é tão impura que até mesmo os lugares onde ela se senta devem ser evitados. Se um homem encostar na esposa, na mãe ou na irmã nesse período do mês, ele não pode sair de casa por sete dias. E, se fizer isso, pode ter de pagar uma multa.

Em caso de roubo e furto ou qualquer outro prejuízo ao patrimônio alheio, como matar por acidente o cabrito do vizinho, a pena é o pagamento de 4 vezes o valor do bem que foi levado ou destruído. Se a pessoa que cometeu a infração não tivesse condições de pagar, podia ser vendida como escrava.
Tudo isso, é claro, são aspectos de uma vida cotidiana que não existe mais. Mas com a mensagem essencial dos textos sagrados é diferente. E essa mensagem pode ser resumida em uma frase, que também ecoa em todas as grandes religiões da Terra: não faça aos outros o que você não gostaria que fizessem com você. Ou mais ainda, como Jesus diz no Evangelho de Mateus: "Tudo o que vós quereis que os homens vos façam, fazei-lho também vós". Está aí uma recomendação impossível de refutar. E que geralmente traz ótimos resultados. Em qualquer lugar, em qualquer tempo.

Fonte: Super Interessante | Para saber mais: Everyday Life in Bible Times
Arthur W. Klinck, Concordia College, 2006 Living Judaism Wayne Dosick, HarperCollins, 2007

sábado, 9 de junho de 2012

A ESPADA DE YAHWEH

Analisemos a espada de Jeová.

Jeová declarou: E enviarei sobre vós a fome e feras, que te desfilarão; e a peste e o sangue passarão por ti; e trarei a espada sobre ti; Ez 5:17. Jeová fala: Temestes a espada, e a espada eu a trarei sobre vós, diz o Senhor Jeová; Ez 11:8. Assim diz Jeová: Eis que estou contra ti, e tirarei a minha espada da bainha, e exterminarei do meio de ti o justo e o ímpio. Quer dizer, Jeová mata tudo junto, não faz diferença coisa nenhuma. Jeová diz: A espada está afiada e polida. E foi dada a polir para ser manejada, para ser posta na mão do matador. A espada está desembainhada, polida para a matança, para consumir, para ser como relâmpago; Ez 21:3. Uma espada afiada prontinha para começar a derramar sangue; Ez 23: 25 / 47 / Js 11:10-11.

Requintes de crueldade
... Tirar-te-ão o nariz e as orelhas; e o que te ficar de resto cairá à espada. Tomarão os teus filhos e as tuas filhas, e o que em ti ficar será consumido pelo fogo. E a hoste apedrejá-las-á, e as matará à espada; trucidará a seus filhos e suas filhas, e queimará as suas casas a fogo. É estarrecedor. Portanto, assim diz Jeová: Eis que eu trarei sobre ti a espada, e de ti exterminarei homem e animal; Ez 29:8. 

A minha espada se embriagou no céu; a  minha espada está cheia de sangue; Is 34:5-6. A espada de Jeová também significa pestes, Jeová através de Isaías pergunta a Davi: Ou 3 anos de fome; ou seres por 3 meses consumido diante de teus adversários, enquanto a espada de teus inimigos te alcance; ou que por 3 dias a espada de Jeová, isto é, a peste na terra, e o anjo de Jeová façam destruição por todos os termos de Israel.

Eis que eu os punirei; os jovens morrerão à espada, os seus filhos e as suas filhas morrerão de fome; Jr 11:22. Jeová disse: Entrega seus filhos à fome, e entrega-os ao poder da espada, e sejam suas mulheres roubadas dos filhos, e fiquem viúvas; e sejam seus maridos feridos de morte, e os seus jovens mortos à espada na peleja; Jr 18:21 / Ex 2:24. 

Jeová da uma terra de presente, pra matar depois: E enviarei entre eles, a espada, a fome e a peste, até que sejam consumidos de sobre a terra que lhes dei a eles e a seus pais; Jr 24:10. Jeová não tinha e não tem misericórdia, e quando se ira perde o controle totalmente. Feriram, pois, os judeus a todos os seus inimigos a golpes de espada, matando-os e destruindo-os; e aos que os odiavam trataram como quiseram; Est 9:5.

Jeová declarou: Se eu afiar a minha espada reluzente, e a minha mão travar do juízo, então retribuirei vingança aos meus adversários de sangue embriagarei as minhas setas, e a minha espada devorará carne; do sangue dos mortes e dos cativos, das cabeças cabeludas dos inimigos; Dt 32:25 / 41-42.

No livro de Crônicas temos um total de: 1 milhão 614 mil 760 mortos pela espada de Jeová; I Cr 18:5 / 21. Em Salmos 7:12 Jeová fala: Se o homem não se arrepender, Jeová afiará a sua espada; armado e teso está o seu arco. Se arrepender do que? Dos pescados? Quais pecados? Ora pecado pra Jeová é desobedecer a lei, e os outros povos não tinham a lei, francamente. 

Então Jeová enviou um anjo que destruiu no arraial do rei da Assíria, todos os guerreiros valentes, e os príncipes, e os chefes. Ele, pois, envergonhado voltou para a sua terra; e, quando entrou na casa de seu deus, alguns dos seus próprios filhos o mataram ali à espada.

Resumo
Os judeus realmente faziam guerra na época, e isso não é mitologia, mas realidade. Os textos estão recheados de mentiras, mas a guerra foi uma realidade em Israel. O problema é que os autores do velho testamento inventaram um deus monstruoso e imaginário, e o culparam por todas essas aberrações.